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Mostrando postagens com marcador Mela cueca. Mostrar todas as postagens
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Nota: 6
Ano: 1987
Ator 1: Jennifer Grey
Ator 2: Patrick Swayze
Diretor: Emile Ardolino
Oscar: Concorreu a 1 e ganhou.
Se enquadra nas seguintes categorias: Sessão da tarde; Mela cueca; Vale pela trilha sonora; Desculpa para mostrar o quanto o/a principal é sarado/a.
Comentário: Dirty dancing é um filme para poucos homens e para todas as mulheres. De fato, este clássico é o paradigma de como se fazer um filme voltado para o público feminino! Sabe aquele filme água com açucar que toda mulher ama encontrar passando em uma sessão da tarde na televisão e assistir pela vigésima vez até o fim? Então, qualquer que seja este filme, pode acreditar que ele tem um mínimo de inspiração em Dirty Dancing (O público masculino, por sua vez, prefere aquele filme em que um homem com cara de malvadão e coração de ouro se vinga de um monte de bandidos matando todos como se fosse um exército de um homem só, em cenas altamente improváveis, cheio de pose e pouca realidade).
Afinal, o filme tem como protagonista uma garota doce e pura de estirpe, que se apaixona por aquele príncipe malandro de classe social baixa que vai lhe ensinar sobre a “realidade do mundo” (é engraçado que esta suposta realidade nua e crua, que tenta ser tão impactante, é geralmente tão ingênua quanto a personagem principal. Todo telespectador sabe disso, e acredita que é assim que tem que ser feito! Filme água com açucar é pra ser tranquilo, romântico e divertido! Nada além disso), eles se apaixonam com uma música de fundo emocionante, brigam por algum motivo que efetivamente magoa um deles e o outro fica com sentimento de culpa, mas no final o príncipe chega em seu cavalo branco, mais lindo do que nunca, toma a garota em seus braços e tem aquele momento kodak que todo mundo espera! (qualquer alteração neste roteiro é um pecado capital! É quase tão criminoso quanto não ter casamento no último capítulo de novela). Pois bem, todos estes elementos serão apresentados com maestria pelo filme aqui analisado.
No filme, Baby (Jennifer Grey) é uma jovem de 17 anos que sente que algo está faltando em sua vida. Em um clube de campo ela acaba conhecendo Johnny Castle (Patrick Swayze em seu melhor momento como ator), um professor de dança disposto a ensinar para a menina tudo sobre a dança e sobre o amor (tá..essa frase brega eu tirei da sinopse escrita no encarte do DVD). A parceira de dança de Johnny se machuca e Baby se voluntaria para ser a parceira dele em sua apresentação mais importante do ano. Eis o palco para toda a paixão suspirante da obra.
Embora seja possível observar todo o tom de desdém besta que eu coloquei até agora na resenha, não posso deixar de admitir que o filme possui uma qualidade impressionante, sendo o melhor no seu gênero. Jennifer Grey faz o papel de garota ingênua de modo irretocável, do nível de Natalie Portman em “Cisne Negro”, Patrick Swayze possui uma intensidade que arranca suspiros com muito mérito, a fotografia é excepcionalmente boa (para um filme água com açucar, é a melhor fotografia que já vi), a trilha sonora é sensacional (prepare-se para ficar cantando a música tema do filme por umas 3 semanas), o roteiro está longe de ser ruim e o final é realmente bacana (ele passando o dedo no suvaco dela no começo da dança é muito bonito! Isto é, a cena é realmente bonita, mas obviamente fica tosca quando eu uso o termo suvaco para descrevê-la).
Qual o motivo da nota 6 então? Ora, um filme que se propõe a ser uma obra ideal para a sessão da tarde não pode possuir uma nota maior! É um filme pipoca, para alegrar e esvaziar sua mente de todo o peso do mundo. A película, portanto, deve ser algo leve, pouco impactante, muito mais um placebo do que uma lição de vida. Para este intuito, não há filme melhor! Não escolha este filme para assistir em uma noite que você quer assistir um filmaço, mas ele é a opção certa para ficar fazendo preguiça em uma tarde.

Nota: 9
Ano: 1997
Ator 1: Roberto Benigni
Ator 2: Giorgio Cantarini
Diretor: Roberto Benigni
Oscar: Concorreu a sete e ganhou três.
Se enquadra nas seguintes categorias: O mundo é uma merda; O mundo é lindo; Mela cueca; Romance com piadinhas; Relacionado à história; Escapista; Antropologia poética.
Comentário: “A vida é bela” é uma lição de vida, que resulta em um sentimento de conforto e uma paz interna indescritível. De fato, passamos muitas horas de nossos dias reclamando de nossa rotina, de nossos sofrimentos e das cruzes que carregamos, sem saber que a diferença entre entre a felicidade e o desânimo encontra-se apenas em uma questão de perspectiva. Quem lê estas primeiras linhas, sem conhecer o filme, pensá que verá mais uma daquelas obras moralistas, mais parecidas com uma fábula de Esopo do que com uma diversão cinematográfica. Completo engano! Não só se trata de um filme completo, com um roteiro envolvente, mas a película lhe dará um raro sentimento de completude.
Não sei como é possível um filme tão triste passar um sentimento de felicidade tão grande! Talvez o segredo desta façanha seja o grande foco do filme, que consiste no amor incondicional do protagonista à vida e aos seus entes queridos. Aliás, o amor é algo tão pulsante na conduta do diretor e ator Roberto Benigni que seria impossível não compartilhar naturalmente este sentimento.
A obra, na verdade, poderia ser dividida em dois filmes: Na primeira temos uma comédia romântica de alto nível, cheia de gracejos e sacadas inteligentes que, por si só, valeriam o ingresso. Nela, o judeu Guido (Roberto Benigni), em um período pouco anterior à segunda guerra, tenta conquistar o coração da professorinha Dora (Nicoletta Braschi). Como pano de fundo, temos o crescente antisemitismo que tomava as ruas e amedrontava os amigos e familiares do protagonista. Guido, porém, aparentemente não possuia nenhuma destas aflições em seu coração, o qual estava simplesmente inundado pela paixão e vontade de se envolver com sua amada. Embora esta narrativa desanime aqueles que não são tão chegados em uma comédia romântica (como eu), deve-se falar que se trata de parte imprescindível para a qualidade final da obra, já que revela toda a beleza e simplicidade de uma vida feliz, a qual será bravamente defendida e sustentada pelo protagonista, mesmo nos piores pesadelos que mais tarde acontecerão.
Na segunda parte, em meio a segunda guerra, Guido é aprisionado em um campo de concentração com seu adorável filho Josué (Giorgio Cantarini), fruto da relação com Dora. Quem pensa que a partir de então teremos aquele drama escandaloso e apelativo (estilo Marley e Eu, Menina de ouro, e outras grandes obras) está redondamente enganado! Em meio a tanta tragédia e sofrimento, Guido consegue fantasiar para seu filho que tudo aquilo não passa de uma grande diversão em uma espécie de acampamento de verão, e que pai e filho ganharão um grande prêmio se obedecerem às divertidas regras impostas. Somente o amor incomensurável de um pai seria capaz de tornar, na memória de um filho, os sofrimentos do campo de concentração em uma das fases mais divertidas da vida do menino.
A lição de vida, o amor colossal e a dedicação paterna só não conseguem tornar o filme pesado pela constante alegria de Roberto Benigni, que transforma os momentos mais tristes em uma piada simples e ingênua, digna de gênios como Charles Chaplin ou Chaves.
As cores e a fotografia são típicas do cinema italiano, com detalhes campestres e a simplicidade de quem não precisa de artifícios para contar uma grande história. A atuação é impecável, parecendo que Roberto Benigni doou cada célula de seu corpo para elaborar uma obra-prima. E que sucesso nesta missão! Qualquer elemento do filme converge para a simples constatação de que, desde o primeiro momento de sua produção, “A vida é bela” tivesse o potencional de se tornar uma obra digna para se firmar entre as melhores do cinema.
A mescla de alegria e sofrimento faz com que todo o público se identifique com o esforço do pai e a ingenuidade do filho, restando apenas ao público escolher se o título da obra está correto ou se deveríamos chamá-la de “A vida é dura”. Conforme já dito, é tudo uma questão de perspectiva!
Ps. Este filme faz você ter vontade de agradecer aos seus pais por cada sorriso já dado por fruto de muito suor. Você já agradeceu os seus genitores hoje? Nós, Josués, sempre devemos agradecer aos nossos heróis Guidos!


Nota: 8
Ano: 2004                
Ator 1: Jim Carrey
Ator 2: Kate Winslet
Diretor: Michel Gondry
Oscar: Concorreu a 2 oscars e levou um.
Se enquadra nas seguintes categorias: O mundo é uma merda; Mela cueca; Escapista; Alternativo.
Comentário: Este é um filme de romance para pirar e entreter por anos Freud, Jung e todos os seus seguidores! Por se tratar de amor proibido de pais com filhos? Não! (ufa!) Mas por ser uma análise corajosa e diferente do funcionamento da mente humana, revelando como suas angústias inconscientes frequentemente se conflitam com suas vontades conscientes. Para tornar tudo isso, que parece muito chato para a maioria, em algo emocionante e bacana, o roteirista adicionou o tema que mais mexe com o perturbado cérebro humano: Um relacionamento amoroso que não deu certo.
A história começa com a ficção de que existe uma máquina que consegue apagar memórias específicas da mente humana durante o sono, de modo que podemos escolher o que será deletado ou não da nossa vida (embora esta máquina pareça super avançada, o filme não é futurístico). Eis que uma jovem chamada Clementine (Kate Winslet), que é muito doidona, resolveu apagar todas as memórias que possui de um ex-namorado seu (Jim Carrey) e este, quando descobre, decide, por pura birra, também apagar tudo o que se lembrava de seu antigo amor (é uma versão mais radical do ato de deletar do facebook ou bloquear no msn).
O filme, portanto, retrata a mente deste homem enquanto as memórias de seu relacionamento estão sendo exterminadas. Todavia, conforme o rapaz vai revivendo suas experiências, ele começa a perceber que, embora tenha gerado muitos sofrimentos no final, o relacionamento com a garota foi, em grande parte, extremamente feliz, proveitoso e que tanto as partes ruins e boas eram extremamente necessárias para a completude de seu ser atual. Por isso, ele começa uma luta incessante contra o sistema, fazendo de tudo para que seu passado amoroso não seja deletado.
De fato, todos os humanos cometem injustiças com o seu próprio passado, já que nossa memória seletiva determina arbitrariamente o que será por nós esquecido e o que será lembrado até o momento da nossa morte. Não sabemos o porque, mas insistimos em lembrarmos da nossa infância como uma vida recheada apenas de alegrias e esquecemos de todos os sofrimentos que já vivemos quando pequenos (as pessoas mais traumatizadas fazem justamente o contrário). Nos relacionamentos amorosos, então, somos inacreditáveis: Qualquer relacionamento que não acabou bem não possui uma memória positiva guardada, tudo foram trevas, de modo que frequentemente nos perguntamos como conseguimos namorar aquela besta quadrada. Ademais, no início da paixão, qualquer coisa é perdoada e tudo são flores, para, posteriormente, com a redução do fogo da paixão, aquele suposto perdão tornar-se de vidro, e aquilo que não nos incomodava se tornar insuportável.
O roteiro é inversamente ordenado pela desconstrução de um relacionamento, retratando o namoro como algo insuportável (o fim) e caminhando para se tornar algo apaixonante (o começo), de modo que não há quem não torça para que os protagonistas fiquem junto no final.
A crise de identidade daquele que perde suas memórias é natural, porque só somos quem somos pelo nosso passado, perder a memória de um relacionamento anterior não significa torna-se mais feliz ou mais triste, mas significa perder uma parte de você mesmo.
Jim Carrey, neste filme, decretou o fim de suas atuações caricatas em comédia (que muitos elogiavam e outros não gostavam) para consolidar seu novo campo de atuação competente, o drama (que, da mesma forma, muitos elogiam – me incluo nessa - mas outros não gostam). Kate Winslet está simplesmente brilhante, como sempre está, reforçando a minha tese de que é a melhor atriz de sua geração (e tem pessoas que só lembram dela por Titanic).
Assim, o filme revela que a máquina de apagar memórias não atinge sua finalidade de tornar uma pessoa mais feliz, porque ela não consegue atingir o inconsciente do ser humano, que ainda será formado por todos os seus traumas e insucessos. Eis o motivo do título gigantesco da película: mesmo sem a lembrança, não há como ignorar o brilho eterno de um relacionamento marcante. Fica, portanto, a comprovação de que o importante, na maioria das vezes, não é o destino para qual caminhamos, mas, em verdade, a própria jornada.



Nota: 5

Ano: 2004
Ator 1: Camila Morgado
Ator 2: Caco Ciocler 
Diretor: Jayme Monjardim
Oscar: Não concorreu.
Também se enquadra nas seguintes categorias: O mundo é uma merda; Mela cueca; Relacionado à história; Persevere que tudo vai dar certo.
Comentário: Olga Benario está, com toda certeza, na lista dos ilustres estrangeiros que mais marcaram a história brasileira. A história da combatente mulher de Prestes é um símbolo de idealismo, sofrimento e força. Para quem não conhece, Olga veio para o Brasil para ajudar na tentativa de revolução liderada por Prestes para instituição do comunismo, mas foi posteriormente capturada pelo governo e entregue por Vargas à Hitler (ela era judia) quando estava grávida, parindo no meio dos campos de concentração e amamentando sua filha em meio a trabalhos forçados (ela deve ter revirado no túmulo com o futuro político de seu marido).
Nessa ordem de ideias, é evidente que um filme homenageando sua história é super bem vindo, já que o roteiro possui drama suficiente até para uma trilogia. O cinema brasileiro, empolgado com sua sensível melhora dos últimos anos, investiu pesado no filme! Caracterização fidedigna; história interessante; marketing de alto nível; uma mensagem para o mundo rara nas histórias reais; típica demonização do nazismo; idealismo sempre cativante dos comunistas; um filme arrasa-quarteirão garantido né? Dessa vez o Oscar vem para nossa querida pátria!
Que decepção! Embora o filme tenha seu mérito, pois representou uma grande melhora nos incentivos do mundo cinematográfico brasileiro, por vezes me pergunto se o desapontamento com seu insucesso não resultou em uma inibição de alguns investidores futuros.
Li o livro que inspirou a obra, que visava muito mais ser um relato histórico do que um romance. Obviamente, a adaptação para o cinema deveria ser substancial, para cativar e prender a atenção do público. Todavia, este trabalho não foi feito. O filme é muito chato! Lento! Daqueles que o público não tem coragem de odiar, mas que todo mundo fica feliz quando ele acaba, gerando preguiça de assisti-lo novamente. Grande falha do roteirista e da direção (como deixar a história de Olga Benário chata? Falha imperdoável!).
Caco Ciocler, em minha opinião, fez um Prestes fraco, não possuindo carisma suficiente para ser o líder de sua famosa coluna ou das suas demais conquistas, não convence ninguém! Camila Morgado é admirada por grande parte da crítica. Vou ser um pouco pesado, mas acho-a forçada, mecânica! Sinto-me assistindo malhação ou carrossel quando a assisto. A trilha sonora não ajuda, passando imperceptível aos ouvidos. A fotografia, por sua vez, não é ruim, um dos pontos mais elogiáveis da obra (aliás, a atenção com a fotografia é a receita para melhorar nossa atual produção cinematográfica).
Resumindo: Se você se interessa pela história brasileira e quer incentivar o cinema nacional, este filme é recomendado. Se você gosta de bons filmes e não tem paciência com obras longas que não cativam, este filme será uma tormenta. Se você assiste filmes depois de um dia cheio de trabalho e gosta de dar umas pescadas, pode fazer isso à vontade que não compromete o entendimento. Uma decepção pela expectativa criada, mas uma lição ao novo estilo de fazer cinema do Brasil, que possui muito potencial e ainda será um dos melhores do mundo.

Nota: 7

Ano: 1990
Diretor: Garry Marshall
Ator 1: Richard Gere
Ator 2: Julia Roberts
Oscar: Uma indicação, sem prêmios.
Também se enquadra nas seguintes categorias: Sessão da tarde; Mão na consciência; Romance com piadinhas; Vale pela trilha sonora.
Comentário: Cada gênero do cinema possui dois ou três filmes que viram verdadeiras alegorias da categoria; “Uma linda mulher” é um forte candidato ao principal filme da categoria “mela cueca”. De fato, é um filme completo do gênero. O filme conta a história de um milionário que, sentindo-se sozinho no seu mundo-cão de trabalho, conhece uma prostituta e se apaixona por ela e vice-versa. A história torna-se interessante para as mulheres devido ao charme do Richard Gere e da forma como Julia Roberts é tratada como uma princesa. O filme é interessante para os homens por Julia Roberts ser uma verdadeira princesa. O filme é interessante para todos pela trilha sonora extremamente feliz, por uma construção de personagens muito sólida e pela interessantíssima desconstrução dos preconceitos existentes entre uma prostituta e um milionário durante o surgimento de uma relação sólida. Antigamente (com mais imaturidade do que tenho hoje), tinha como principal crítica deste filme o fato de insistirem em um roteiro no qual o homem é um saco de paciência sem fundo e faz tudo para satisfazer as dúvidas, egoísmos e caprichos de uma mulher, simplesmente por gostar dela (E ela? Não gosta dele? Ele tem que perseverar enquanto ela o abandona em qualquer contratempo, esperando que ele faça alguma coisa super-romântica pra que ela o aceite?). Hoje, um pouco mais compreensivo (só um pouco! :P ), percebo que este filme não se encaixa na minha crítica (continuo detestando filmes em que a mulher é uma cretina e o homem é um super-herói que tem que fazer tudo pela sua companheira e pelo final feliz, acho um machismo tosco perpetrado por mulheres que diminuem a importância do companheirismo e do esforço das moças em uma relação). De fato, Julia Roberts não faz o papel de simples mulher mimada nesta trama: Como uma verdadeira pessoa que sofreu diversas privações na vida, a protagonista é essencial na mudança do modo de encarar a vida do bilionário, que finalmente entende que não precisa prejudicar outros para satisfazer suas ambições e que ele poderia ser muito mais feliz curtindo as amenidades da vida e fazendo algo bom que lhe permita se sentir bem. Tal mudança é mérito total da perseverança e atitude da musa. E, se ele tem condições de realizar os sonhos de sua mulher, nada mais justo que ele o faça! E nada mais justo que o público se apaixone com tais atitudes. As críticas pontuais aos preconceitos da sociedade são muito bem construídas, a interpretação de Roberts é elogiável (a de Gere é a mesma de sempre, não acho digna de tantos aplausos assim) e todos os elementos da obra colaboram para fazer um ótimo filme de romance. É claro que a trama não é digna de fortes emoções, podendo até ser classificado como “água com açúcar”; mas, como bem me ensinou Carolina Frare Lameirinha, os melhores filmes de menininha devem ser nota 6 ou 7, porque são leves, simples, com muito sorriso, algumas lágrimas e nenhuma dor de cabeça posterior.
Nota: 7
Ano: 1990
Diretor: Jerry Zucker
Ator 1: Patrick Swayze
Ator 2: Demi Moore
Oscar: Concorreu a cinco estatuetas e ganhou duas.
Também se enquadra nas seguintes categorias: Sessão da tarde; Vale pela trilha sonora; Vendetta.
Comentário: Se você pedir para uma pessoa falar os cinco melhores filmes “mela-cueca”, ghost estará na lista. Se você falar pra alguém pensar um filme sobre fantasmas, 80% de chance de tê-lo como resposta. Este filme abriu os anos 90 com chave de ouro. Ele é o típico filme que todo homem que namora deseja. Se somos obrigados a ver filminhos sentimentalistas, porque não uma boa história de fundo? E, somos obrigados a admitir, o romance deste filme não é nada ruim. As cenas dos dois fazendo cerâmica, do final com a luz no fundo, enfim, é tudo muito bem feito. Patrick Swayze confirma neste filme o seu eterno papel de galã em filmes de romance. Demi Moore não brilha muito no filme, mas estava em seu auge. E Whoopi Goldberg aparece, para sorte de todos, pois ela dá o tom dos filmes leves e divertidos que reinarão nos anos 90. Além disso, vale lembrar que a fotografia e a trilha sonora são de alta qualidade. Mas o maior destaque, pra mim, é o modo de se retratar “o mundo” dos fantasmas. Este filme define o modo que os espíritos vão aparecer e reagir nos filmes com espíritos a partir de então, retirando o aspecto místico dos mortos e colocando-os como seres humanos normais, que não podem tocar ou interagir com os vivos, mas ainda cheios de emoções. Apesar dos grandes acertos, este filme não merece uma nota acima de sete, pois é um filme tão competente, mas tão competente, que acerta em cheio até o seu objetivo inicial, de ser um mero filme água-com-açucar.

Nota: 9
Ano: 1995
Diretor: Clint Eastwood
Ator 1: Meryl Streep
Ator 2: Clint Eastwood
Oscar: Recebeu uma indicação
Também se encaixa na seguinte classificação: Traição conjugal; Antropologia poética.
Comentário: Mulheres: preparem-se para chorar litros. Trata-se de uma obra única. Não pense que este filme será aquele filme levezinho com romance, feito para namorados assistirem com o canto de olho enquanto se beijam. Este filme é sobre a reflexão que toda mulher de meia-idade deve fazer um dia de sua vida; o futuro inevitável de muitas meninas sonhadoras e o pesadelo de todo marido carinhoso que deseja realizar a felicidade de sua mulher. De fato, o filme começa com os típicos filhos enterrando a respectiva genitora. Digo típicos filhos porque normalmente os filhos não percebem a mãe como um ser humano comum, não valorizam a entrega que sua mãe precisou fazer, abrindo mão de muitos sonhos, para satisfazer os anseios de sua família. Portanto, é com descrença e revolta que os filhos recebem a notícia de que eles, motivos de felicidade, são também a sina de suas queridas mães. No caso, a ficha cai quando eles descobrem que sua mãe não quer ser enterrada com o pai, mas quer ser cremada e ter suas cinzas jogadas de uma ponte onde viveu um caso de amor com um amante. Este filme me perturbou muito, porque quero muito minimizar ao máximo esta sina feminina (se possível evitá-la), quero que minha mulher não abra mão de seus sonhos possíveis e que sua realização de vida seja externalizada, e não reprimida. Mas, convenhamos, não é tarefa fácil em face das vicissitudes da vida. O romance em si é simples, mas a atuação é tão intensa, Meryl está tão forte no papel, que não tem como não se emocionar, não tem como não se afetar. É o filme favorito da admirável Fernanda Aranda, mexeu com Carolina Frare Lameirinha, e provavelmente vai afetar você. “Deixei a minha vida para a família. Quero deixar a minha morte para Robert.”

Nota: 7
Ano: 1939
Diretor: Victor Fleming
Ator 1: Vivien Leigh
Ator 2: Clark Gable
Oscar: Ganhou 10 prêmios, sendo indicado em 15.
Também se enquadra nas seguintes categorias: Relacionado à história; Persevere que tudo vai dar certo; Antropologia poética; Romance com piadinhas.
Comentário: É simplesmente impressionante que este filme tenha sido feito na década de 30. O figurino é ótimo, os cenários são muuuito avançados para a época e os personagens principais não são idealizados e românticos como a grande maioria desta modalidade de filmes. Aliás, não são nada perfeitos. Vivien é egoísta, teimosa e mimada, enquanto Clark é um canastrão arrogante. Agora, toda mulher (feminista ou não) deve valorizar e admirar a trajetória de Scarlett (personagem de Vivien). Afinal, é uma mulher criada para ser mais uma das fúteis madames que serão tratadas como animais de estimação pelos homens, mas que, diante da fome e dos terrores daquele período, cresce perante os homens desesperançados e toma as rédeas para criar, alimentar e cuidar de sua família e de quem mais ela conseguir amparar (Tudo isso, sem nunca perder sua feminilidade e doçura). Como bem disse minha namorada, Carolina (linda), é uma atuação de teatro em um cinema, com trejeitos e reações bem destacados (o que não agrada muitos dos telespectadores acostumados com os filmes atuais), mas que não deixa de garantir um ingrediente ainda maior ao charme do filme. Se você não gosta de filmes antigos, este filme provavelmente não te agradará, pois os padrões tradicionais do modus operandi dos filmes daquela época continuam fortemente presentes. E, ainda, o filme é muuuuito longo, desnecessariamente, o que também tira um pouco do brilho geral da obra. Alguns críticos afirmam que este é o melhor filme de todos os tempos, eu discordo, mas tenho que concordar que este filme mereceu permanecer por tantas décadas entre os 10 melhores. Ahh, a fala “Oh! Ashley” ficará na sua cabeça por dias!