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Uma linda mulher

Nota: 7

Ano: 1990
Diretor: Garry Marshall
Ator 1: Richard Gere
Ator 2: Julia Roberts
Oscar: Uma indicação, sem prêmios.
Também se enquadra nas seguintes categorias: Sessão da tarde; Mão na consciência; Romance com piadinhas; Vale pela trilha sonora.
Comentário: Cada gênero do cinema possui dois ou três filmes que viram verdadeiras alegorias da categoria; “Uma linda mulher” é um forte candidato ao principal filme da categoria “mela cueca”. De fato, é um filme completo do gênero. O filme conta a história de um milionário que, sentindo-se sozinho no seu mundo-cão de trabalho, conhece uma prostituta e se apaixona por ela e vice-versa. A história torna-se interessante para as mulheres devido ao charme do Richard Gere e da forma como Julia Roberts é tratada como uma princesa. O filme é interessante para os homens por Julia Roberts ser uma verdadeira princesa. O filme é interessante para todos pela trilha sonora extremamente feliz, por uma construção de personagens muito sólida e pela interessantíssima desconstrução dos preconceitos existentes entre uma prostituta e um milionário durante o surgimento de uma relação sólida. Antigamente (com mais imaturidade do que tenho hoje), tinha como principal crítica deste filme o fato de insistirem em um roteiro no qual o homem é um saco de paciência sem fundo e faz tudo para satisfazer as dúvidas, egoísmos e caprichos de uma mulher, simplesmente por gostar dela (E ela? Não gosta dele? Ele tem que perseverar enquanto ela o abandona em qualquer contratempo, esperando que ele faça alguma coisa super-romântica pra que ela o aceite?). Hoje, um pouco mais compreensivo (só um pouco! :P ), percebo que este filme não se encaixa na minha crítica (continuo detestando filmes em que a mulher é uma cretina e o homem é um super-herói que tem que fazer tudo pela sua companheira e pelo final feliz, acho um machismo tosco perpetrado por mulheres que diminuem a importância do companheirismo e do esforço das moças em uma relação). De fato, Julia Roberts não faz o papel de simples mulher mimada nesta trama: Como uma verdadeira pessoa que sofreu diversas privações na vida, a protagonista é essencial na mudança do modo de encarar a vida do bilionário, que finalmente entende que não precisa prejudicar outros para satisfazer suas ambições e que ele poderia ser muito mais feliz curtindo as amenidades da vida e fazendo algo bom que lhe permita se sentir bem. Tal mudança é mérito total da perseverança e atitude da musa. E, se ele tem condições de realizar os sonhos de sua mulher, nada mais justo que ele o faça! E nada mais justo que o público se apaixone com tais atitudes. As críticas pontuais aos preconceitos da sociedade são muito bem construídas, a interpretação de Roberts é elogiável (a de Gere é a mesma de sempre, não acho digna de tantos aplausos assim) e todos os elementos da obra colaboram para fazer um ótimo filme de romance. É claro que a trama não é digna de fortes emoções, podendo até ser classificado como “água com açúcar”; mas, como bem me ensinou Carolina Frare Lameirinha, os melhores filmes de menininha devem ser nota 6 ou 7, porque são leves, simples, com muito sorriso, algumas lágrimas e nenhuma dor de cabeça posterior.