A vida é bela
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Nota: 9
Ano: 1997
Ator 1: Roberto Benigni
Ator 2: Giorgio Cantarini
Diretor: Roberto Benigni
Oscar: Concorreu a sete e ganhou
três.
Se enquadra nas seguintes
categorias: O mundo é uma merda; O mundo é lindo; Mela cueca; Romance com
piadinhas; Relacionado à história; Escapista; Antropologia poética.
Comentário: “A vida é bela” é uma
lição de vida, que resulta em um sentimento de conforto e uma paz interna
indescritível. De fato, passamos muitas horas de nossos dias reclamando de
nossa rotina, de nossos sofrimentos e das cruzes que carregamos, sem saber que
a diferença entre entre a felicidade e o desânimo encontra-se apenas em uma
questão de perspectiva. Quem lê estas primeiras linhas, sem conhecer o filme,
pensá que verá mais uma daquelas obras moralistas, mais parecidas com uma
fábula de Esopo do que com uma diversão cinematográfica. Completo engano! Não
só se trata de um filme completo, com um roteiro envolvente, mas a película lhe
dará um raro sentimento de completude.
Não sei como é possível um filme
tão triste passar um sentimento de felicidade tão grande! Talvez o segredo
desta façanha seja o grande foco do filme, que consiste no amor incondicional
do protagonista à vida e aos seus entes queridos. Aliás, o amor é algo tão
pulsante na conduta do diretor e ator Roberto Benigni que seria impossível não
compartilhar naturalmente este sentimento.
A obra, na verdade, poderia ser
dividida em dois filmes: Na primeira temos uma comédia romântica de alto nível,
cheia de gracejos e sacadas inteligentes que, por si só, valeriam o ingresso.
Nela, o judeu Guido (Roberto Benigni), em um período pouco anterior à segunda
guerra, tenta conquistar o coração da professorinha Dora (Nicoletta Braschi).
Como pano de fundo, temos o crescente antisemitismo que tomava as ruas e
amedrontava os amigos e familiares do protagonista. Guido, porém, aparentemente
não possuia nenhuma destas aflições em seu coração, o qual estava simplesmente
inundado pela paixão e vontade de se envolver com sua amada. Embora esta
narrativa desanime aqueles que não são tão chegados em uma comédia romântica
(como eu), deve-se falar que se trata de parte imprescindível para a qualidade
final da obra, já que revela toda a beleza e simplicidade de uma vida feliz, a
qual será bravamente defendida e sustentada pelo protagonista, mesmo nos piores
pesadelos que mais tarde acontecerão.
Na segunda parte, em meio a
segunda guerra, Guido é aprisionado em um campo de concentração com seu
adorável filho Josué (Giorgio Cantarini), fruto da relação com Dora. Quem pensa
que a partir de então teremos aquele drama escandaloso e apelativo (estilo
Marley e Eu, Menina de ouro, e outras grandes obras) está redondamente
enganado! Em meio a tanta tragédia e sofrimento, Guido consegue fantasiar para
seu filho que tudo aquilo não passa de uma grande diversão em uma espécie de
acampamento de verão, e que pai e filho ganharão um grande prêmio se obedecerem
às divertidas regras impostas. Somente o amor incomensurável de um pai seria
capaz de tornar, na memória de um filho, os sofrimentos do campo de
concentração em uma das fases mais divertidas da vida do menino.
A lição de vida, o amor colossal
e a dedicação paterna só não conseguem tornar o filme pesado pela constante
alegria de Roberto Benigni, que transforma os momentos mais tristes em uma
piada simples e ingênua, digna de gênios como Charles Chaplin ou Chaves.
As cores e a fotografia são
típicas do cinema italiano, com detalhes campestres e a simplicidade de quem
não precisa de artifícios para contar uma grande história. A atuação é
impecável, parecendo que Roberto Benigni doou cada célula de seu corpo para
elaborar uma obra-prima. E que sucesso nesta missão! Qualquer elemento do filme
converge para a simples constatação de que, desde o primeiro momento de sua
produção, “A vida é bela” tivesse o potencional de se tornar uma obra digna
para se firmar entre as melhores do cinema.
A mescla de alegria e sofrimento
faz com que todo o público se identifique com o esforço do pai e a ingenuidade
do filho, restando apenas ao público escolher se o título da obra está correto
ou se deveríamos chamá-la de “A vida é dura”. Conforme já dito, é tudo uma
questão de perspectiva!
Ps. Este filme faz você ter
vontade de agradecer aos seus pais por cada sorriso já dado por fruto de muito
suor. Você já agradeceu os seus genitores hoje? Nós, Josués, sempre devemos
agradecer aos nossos heróis Guidos!
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