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Ultimo tango em Paris


Nota: 3
Ano: 1972
Ator 1: Marlon Brando
Ator 2: Maria Schneider
Diretor: Bernardo Bertolucci
Oscar: Concorreu a dois e não levou nenhum.
Se enquadra nas seguintes categorias: O mundo é uma merda; Escapista; Alternativo; Antropologia poética; O objetivo é chocar.
Comentário: O filme causou fervor na sociedade nos anos 70, ficando conhecido como “o filme mais sensual já feito até então”. Aposto que já na época muitas pessoas ficaram decepcionados com o que viram. Muitos, ao longo dos anos, devem ter se perguntado qual era o real motivo do sucesso desta obra. Talvez seja um fenômeno parecido com o que passamos atualmente com o livro “50 tons de cinza”. Não se deve negar que o filme contém cenas “picantes”, especialmente para um período em que o cinema tradicional insistia em se fingir de pudico. Mas, vamos lá, isso é suficiente para se fazer um filme? Não consigo apreciar um filme que possua um roteiro com uma qualidade tão ruim como este.
Com o objetivo de ser profunda e intimista, a película conta a história de um recém-viúvo (Marlon Brando) que lamenta o suicídio de sua mulher e todas as demais angústias de sua vida. Este homem solitário e desesperado conhece uma jovem perdida (Maria Schneider) em um apartamento vazio e, sem possuírem qualquer informação um do outro (nem mesmo o nome), resolvem começar uma relação sexual frenética, desprovida de qualquer contato com suas memórias anteriores, angústias presentes, ou planejamento futuros.
Até aí o filme parece ser razoável não? Bom, acontece que tudo é, desculpe minha ousadia, extremamente mal feito (Shame on you Bertolucci!). Não há nenhuma aproximação do público com a situação narrada. Não há qualquer diálogo ou situação plausível que justifique a conduta dos personagens. Aliás, vamos escrachar os diálogos um pouco mais: Como o diálogo deste filme pode ser tão ruim? Alguém consegue me explicar? Juro! As construções das profundas filosofias e devaneios dos personagens são tão desconexas, tão estranhas, tão desprovidas de sentido, que a vontade constante é de desligar logo a televisão. E você acha que acabou? Espere pelo final, será uma aula de como ser coerente e lógico na construção de um filme (só que ao contrário).
Como destaques positivos temos a fotografia (taciturna, quase mórbida, extremamente bem feita! Só não consigo entender qual é a estranha relação que as pessoas têm do mórbido com o sensual, acho tudo muito incompatível) e a sempre competente interpretação de Brando (que chega ao nível de excelência em um monólogo feito por seu personagem na frente do corpo de sua mulher, mas que fica apagada diante das bizarres apresentadas pelo filme).
Enfim, não acho que o sensualismo do filme seja suficiente para torná-lo atrativo para qualquer pessoa. Afinal, caso alguém precise de estímulo cinematográfico neste sentido e não faça questão de receber conjuntamente um roteiro que preste, muito mais indicado seria um filme assumidamente pornográfico, que não guarda nenhuma pretensão de ser brilhante em seus diálogos. Na minha opinião, é o típico filme que só seria indicado para aquela pessoa que possui a necessidade de assistir algo erótico, mas, por alguma pressão social externa ou interna, não consegue se sujeitar a um filme proibido para menores. Não é seu caso? Não assista!