Exibir Cartazes

8 e 1/2


Nota: 1
Ano: 1963
Ator 1: Marcello Mastroianni
Ator 2: Anuk Aimée
Diretor: Federico Fellini
Oscar: Concorreu a 5 e ganhou 2.
Se enquadra nas seguintes categorias: O mundo é uma merda; ????; Frases de efeito; Escapista; Alternativo; Antropologia poética.

Comentário: Confesso que sempre tive uma vontade curiosa de ver um filme do Fellini, tão elogiado pelos entendedores da sétima arte. Ainda maior era minha curiosidade em conhecer o filme “8 e ½”, intitulado por muitos conhecidos como sua película favorita de toda  vida.

Todavia, sempre tive a real sensação de que iria desaprová-lo, uma vez que seus declarados admiradores possuíam um aspecto em comum: A qualidade de admirar obras abstratas, densas e “cult” demais para o padrão ordinário (me  considero um legítimo cinéfilo de gosto comum). Sabe essas pessoas que tem a visão além do alcance? Uma espécie de terceiro olho, que consegue distinguir uma arte abstrata ímpar de um rabisco de uma criança de três anos? Pois é, sou do time que geralmente acha essas coisas abstratas uma coisa mal feita disfarçada de sublime. Pombas, quer desenhar uma mulher sofrendo? Desenha uma mulher sofrendo! Não desenha uma bola com três pingos coloridos no meio e fala que isso representa a “sofrência”!  No filme é a mesma lógica: Quer fazer uma história sobre uma mulher que sofre? Coloca uma atriz chorando! Não me filma uma bola girando e depois virando uma girafa e fala que isso representa a dor sofrida.

Enfim, compreendendo esta minha visão de arte (limitada, admito), é razoável pensar que eu não gostaria de um filme “cult”... Mas não é que “8 e ½” me supreendeu?? Conseguiu ser pior ainda!!! Ganhou o título do filme que mais me deu desprazer em assistir! Juro! Foi um desprazer tão assustador que eu tenho até a vontade sádica de incentivar pessoas a assistirem só pra testar se eu sou normal! No nível pular na piscina gelada e fingir que tá quentinho pra outras pessoas pularem também! Pra voces verem: Eu e meus pais fizemos o desafio de tentar sobreviver até o fim da obra, apontada no encarte como tendo duração de 90 minutos. Quando chegou ao minuto 91 e descobrimos que a indicação estava errada, meu pai saiu bufando da sala como um desertor de uma guerra (o filme tem longos 138 minutos), minha mãe dormiu e eu banquei o espanhol teimoso que foi até o fim.

A história relata um momento da vida de um fictício cineasta famoso, de nome Guido Anselmi (Marcello Mastroianni), o qual se encontra “travado” e incapaz de escrever um roteiro para sua próximo obra (os especialistas dizem que Fellini estava fazendo uma auto-biografia neste roteiro). Ele esconde essa incapacidade de todo mundo e finge que o roteiro está pronto, com todo elenco e produção esperando apenas o texto para começar a gravação. Pra tentar desenpacar, o protagonista faz uma busca introspectiva sobre a sua vida e a influência de todas as mulheres que marcaram o decorrer de seus anos.

Pois bem, até parece que poderia sair um roteiro decente disso né? Mas isso é explicado em cinco minutos e a partir de então é como se todo espectador tomasse dez litros de chá de cogumelo e ficasse o resto do filme tendo alucinações. Nenhum diálogo terá mais do que cinco minutos de lógica concatenada, nenhum trecho do filme é essencial para se chegar a conclusão final (na verdade sequer há uma história linear.. não vi começo, não vi meio e não vi algo que possa ser chamado de fim) e poucas são as cenas que você consegue identificar exatamente o que está acontecendo.

O nível de desorientação foi tamanho que sequer sei avaliar a qualidade da atuação, da fotografia e demais elementos do filme (a trilha sonora me parecia bacana)..enfim, foi uma sensação constante  de incapacidade, como um analfabeto com o texto na mão.

Desafio qualquer um a ver este filme! E conto com a benevolência de alguns em explicar um pouco dele! Não é possível que um filme tão premiado, tão renomado e tão apreciado por muitos possa permanecer por toda minha vida com o título de “o pior filme já visto”! (pra quem quiser uma experiência mais light, existe uma releitura da obra feita por um elenco recheado de estrelas e que ouvi dizer ser um pouco menos densa e mais realista. Confesso que não tive coragem de enfrentar uma experiência semelhante à anterior e, por isso, não assisti. Esta releitura possui o nome de “nine”).