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Num lago dourado

 
Nota: 6

Ano: 1981

Ator 1: Henry Fonda

Ator 2: Jane Fonda

Diretor: Mark Rydell

Oscar: Concorreu a 10 e ganhou 3.

Se enquadra nas seguintes categorias: O mundo é lindo; mão na consciência; Escapista; Antropologia poética.

Comentário: Todo ser humano, de início, desgosta de uma marmelada. Isto é, ninguém aqui tem prazer em descobrir que acontecimentos supostamente verídicos e espontâneos se originaram de uma pré-combinação. Até mesmo quando assistíamos “Gigantes do ringue”, preferíamos nos enganar acreditando que aquela luta era de verdade. Pois bem, é com grande pesar que ouvimos severos boatos de que este filme foi produzido por Jane Fonda para que seu pai, Henry Fonda, fosse finalmente agraciado com um Oscar de melhor ator. De fato, foi uma excelente oportunidade para que uma grande injustiça fosse corrigida e este excelente ator pôde ser incluído no hall seleto dos premiados (por pouco isso não aconteceu, Henry Fonda faleceu pouco tempo depois, sendo este o seu último filme).

Mas o contexto acima citado diminui o valor deste filme? Deveria, mas não consegue! Isso porque a obra é de uma singeleza, uma beleza simples, uma profundidade simultaneamente leve, que, no fim das contas, faz a película merecer suas palmas, seus créditos e, porque não, suas premiações (embora dez indicações ao Oscar me pareça um certo exagero).

No filme, Henry Fonda e Katharine Hepburn (que dupla!) interpretam um casal de idosos passando suas férias de verão em uma casa de campo. Embora felizes, é possível observar que algo impede que um sentimento de plenitude reine sobre a morada, e o motivo não tarda a ser revelado: A relação estremecida entre o velho Norman (Henry Fonda) e a filha do casal (Jane Fonda), que sempre se amaram mas nunca conseguiram demonstrar seus sentimentos. A vida e as brigas sem valor afastaram pai e filha e o vazio entre eles não parece que será um dia preenchido. Entretanto, por uma necessidade pessoal, a personagem de Jane se vê obrigada a deixar seu filho, neto de Norman, sobre os cuidados do velho casal durante uma temporada de verão. Avô  e neto nunca conviveram juntos e a má vontade para este início tardio de um relacionamento afetivo é patente. O filme, então, é uma bela narrativa sobre o desenvolvimento natural dos laços afetivos entre os envolvidos, na qual os sentimentos positivos naturalmente vão se sobrepondo aos negativos, não sendo difícil retirar da cativante história elementos de reflexão para que possamos valorizar e cuidar melhor dos nossos próprios relacionamentos abandonados diante de uma rotina insana.

Embora com uma fotografia minimalista e poucos diálogos de efeito, não faltam elementos para garantir os aplausos do público: o roteiro é forte suficiente para, juntamente com a competente atuação de Henry Fonda, fazer o filme valer os seus minutos de duração.

O filme então é extraordinário? Ficará marcado na história? É indispensável? Sinceramente, acredito que não! No final das contas, ele não supera a categoria de “obra bonitinha”, mas isso não desvaloriza a merecida homenagem à Henry, e não é uma má despedida deste grande artista. Jane Fonda quis dar um presente ao seu pai, mas quem agradeceu foi o público.