Menina de ouro
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Nota: 9
Ano: 2004
Ator 1: Clint Eastwood
Ator 2: Hilary Swank
Diretor:
Clint Eastwood
Oscar:
Concorreu a 7 e ganhou 4.
Se enquadra
nas seguintes categorias: O
mundo é uma merda; Esporte.
Comentário:
No mundo cinematográfico sempre existirá grande polêmica sobre a qualidade de
filmes. Não é raro encontrar uma discussão em um bar acerca da genialidade, ou
não, de “Star Wars”, se seu tempo passou, ou até (opiniões polêmicas) se o
filme é meio bobo. Também é discutido se “Clube da Luta” é genial ou violência
vomitada, se “Pontes de Madison” é uma jóia rara ou uma chatice sem fim. No
entanto, existem poucos filmes que entram em um rol indiscutível, sendo muito
difícil encontrar alguma pessoa que retire esta película do nível “Ótimo” e a
despromova para o nível “Bom”. “Menina de ouro” é um filme de 2004 que entrou
neste rol para, provavelmente, nunca mais sair.
O
filme contém a fórmula mágica de seu diretor: Clint Eastwood é um cara com
péssimo humor, parece que já sofreu bastante e é apurrinhado por alguém
carismático e pentelho que tenta usufruir do lado bom do velho rabugento (no
caso, este alguém é Hilary Swank). Pra arrematar tudo, o filme tem uma
fotografia fria e bela e possui a sempre soberba narração de Morgan Freeman,
que faz o seu eterno e espetacular papel de coadjuvante sábio. A fórmula é
velha e já rendeu inúmeros filmes dignos de aplausos, como “Gran Torino”, “Os
imperdoáveis” entre outros, que inexplicavelmente não cansamos de assistir. Mas
qual o motivo deste filme se destacar entre todos e se tornar uma lenda? A
resposta: O roteiro! Não se trata de apenas um roteiro extraordinário. É
simplesmente um dos melhores roteiros que já vi; que pega aquele elemento
especial de cada gênero do cinema que conhecemos (a superação dos filmes de
esporte, o sofrimento dos filmes de drama, as lições de um filme poético, a
felicidade de um filme simples, a paixão dos filmes de amor e a raiva dos
filmes de ação) e é capaz de fazer uma história firme, sem falhas, digna de
produzir inúmeras lições ao telespectador; uma obra que diverte, acrescenta,
emociona e homenageia, tudo em uma só! Eu pareço um vendedor de Polishop
falando sobre ele... mas não consigo parar de babar-ovo quando falo desta
obra-prima.
A
história é divida em duas partes. Em sua primeira metade o filme é uma espécie
de readaptação de “Rocky” para os dias atuais, com um pouco mais de humor e
dinamicidade., no qual Hilary é uma boxeadora pobre que quer virar uma
profissional, e, tendo enorme potencial e teimosia, consegue superar a
resistência de Clint, um sparring em decadência, que não deseja treinar uma
mulher,e quase o obriga a ser seu treinador e amigo. Nesta parte, o grande
destaque para mim é Morgan Freeman, que brilha em cada mínima participação de
seu personagem. No seu “segundo ato”, o filme vira uma melhoria de “Mar
Adentro”, no qual a atuação de Hilary Swank supera qualquer prévia expectativa
sobre a atriz (é incrível como a atriz, com tão poucos filmes
de peso em sua carreira, conseguiu ter surpreendido o mundo por duas vezes,
rendendo suas duas estatuetas do Oscar – em “Menina de Ouro” e “Meninos não
choram”. Qual o motivo dela não ser ainda cotada como uma das melhores de sua
geração?).
Enfim,
são tantas as qualidades técnicas que podem ser detalhadas (fotografia
impecável, trilha sonora contida, atuação individual de cada um e etc) e tantas
reflexões pertinentes sobre a vida (simplicidade e competência da protagonista,
compaixão e cuidado do personagem de Clint, ingratidão e falta de alteridade da
família da boxeadora, o companheirismo silencioso entre Clint e Freeman), que a
melhor coisa a se fazer é simplesmente guardar os comentários para si próprio e
se limitar a recomendar fortemente para toda a população mundial que se encante
com esta história magnífica.
Vale a pena ver e rever toda vez que encontrá-lo
passando na televisão. Mo cuishle!
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