Batman, o retorno
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Nota: 4
Ano: 1992
Ator 1: Michael Keaton
Ator 2: Danny DeVito
Diretor: Tim Burton
Oscar: Concorreu a 2 e não ganhou
nenhum.
Se enquadra nas seguintes
categorias: Sessão da tarde; O principal é imbatível; O mundo é uma merda; Vale
pela trilha sonora; Frases de efeito; Alternativo; Desculpinhas para criar
cenas de luta; Origem em vídeo-games/quadrinhos; Vendetta; Máfia; Manual de
como virar um psicopata; Ação sem fôlego; O objetivo é chocar.
Comentário: “Batman, o retorno” é
o segundo filme da saga do homem-morcego feita nas décadas de 80 e 90, seguindo
o sucesso do filme “Batman” de 1989. Primeiramente, antes de você ler esta resenha,
sugiro que você leia meus comentários sobre o primeiro filme da saga, que se
encontra neste link: http://poderosonetao.blogspot.com.br/2012/08/batman.html.
Quando falei sobre “Batman”, já
demonstrei meu desapreço com o modo como o super-herói dos quadrinhos é
retratado nestes filmes, pois ele não segue o lado intimista, psicológico e
sombrio dos tempos áureos do personagem no mundo dos quadrinhos (e muito bem
representado na trilogia moderna que tem Cristian Bale como Bruce Wayne), mas
também não adota o pastelão e divertido Batman da série antiga da TV, sendo um
meio termo bizarro e sem sal. Aliás, trata-se do típico filme “a la Tim Burton”,
um roteiro bem fraquinho, com um ar sombrio alternativo e várias supostas
alegorias que fazem com que a maioira ache o filme “Super cult” e crítico com a
sociedade e o ser humano, mas que na minha bruta opinião só deixa o filme tosco
e desconexo. Minha eterna analogia sobre Tim Burton: Me sinto discutindo arte
abstrata, todo mundo diz que é genial aquele quadro que possui um borrão que
não faz sentido algum e que parece que qualquer criança pode fazer.
A presente obra mantém a
qualidade dos acertos do filme anterior e piora (e muito) os pontos fracos da
obra antecessora. De fato, o filme mantém sua fotografia bem elaborada e bem
finalizada, com detalhes mínimos, que é ainda acompanhada de uma trilha sonora
com qualidade fora do comum (embora eu ache o cenário muito teatral e prefira
algo mais “pé no chão” para filmes do homem-morcego, não posso negar que ficou
bonita esta reprodução sombria do Sr. Burton – embora este cenário vá ser
repetido incansavelmente em diversas futuras obras do diretor. Aliás, este
diretor possui fetiche com neve?). Ainda, novamente elogiável a intepretação do
antagonista! Danny DeVito tem uma de suas melhores atuações neste filme (tão
boa apenas quanto sua interpretação em “Um estranho no ninho”). Deve-se admitir
que dificlmente aparecerá uma interpretação tão perfeitamente visceral do Pinguim,
que consiga realmente representar o que o vilão apresenta na obra dos
quadrinhos, isto é, sua raiva mal-contida oriunda do binômio entre o ódio e o
amor pela podridão do ser humano. Um ser que ao mesmo tempo que é implacável e
temido, é digno de dó e chacota. Ainda, Michelle Pfeiffer não está mal como
Mulher-Gato (embora seja muita sensualidade para pouca atuação). Mas este filme
mantém a marca registrada do alto nível de interpretação dos vilões de Gotham
em todas as obras (geralmente consertando as atuações apáticas dos mocinhos.
Alias, Michale Keaton repte sua pífia atuação do filme anterior. Parece que ele
passou quilos de botox antes de entrar em cena).
Contudo, não há como aprovar o
roteiro desta película! (A maioria das pessoas acha exatamente o contrário do
que falo aqui, afirmando até que este é o melhor filme da saga antiga!) O filme
revela o surgimento do Pinguim dos esgotos após ter sido abandonado por seus
pais e criado no meio dos dejetos da sociedade. Este ser deturpado, por meio de
chantagem, consegue fazer um influente e mafioso empresário de Gotham
(Christopher Walken), apoiá-lo para uma inusitada e surpreendente candidatura
para prefeito da cidade. No meio disso tudo, uma das funcionárias demitidas
deste empresário sofre um acidente e fica enloquecida (Michelle Pfeiffer),
resolvendo se tornar a mulher-gato. Por motivos bizarros e forçados, tanto a
gata, quanto o pinguim, adquirem uma obsessão pela morte do Batman, que até
então não tinha nada que ver com a história. Bom, se o resumo do início já
parece tosco e sem sentido, você não perde por esperar pelo desfecho! A conclusão
da trama apresentada é tão bizarramente incompreensível que ao tentar refletir
sobre as motivações das pessoas envolvidas na cena, não há como acreditar que o
filme tenta ser minimamente sério. Juro! Esqueça o Pinguim, que é tão bizarro e
alheio à sociedade que possui a licença para agir de forma irracional e
surpreendente, mas pense nos demais: se você fosse um empresário poderoso e
altamente bem sucedido como o Walken, seria esperto da sua parte descer na cena
final para aquele bueiro? Aliás, qual o motivo de você ter ido parar lá praticamente
desamparado? Qual a vantagem nisso? Nenhuma! Quiseram fazer um fim teatral e
ele tinha que aparecer, é só isso. O roteiro começa intragável, parece que vai
assumir um contorno mais aceitável só para retornar ao final de forma mais
insuportável ainda.
Não são poucas as pessoas que
tentam me explicar que há todo um sentido poético no filme, que deve ser visto
de uma forma figurada, que a obra é um grande ballet sobre a aberração humana,
lotado de críticas comportamentais geniais (são tantas pessoas que dizem isso
que provavelmente eles estão certos e eu sou um cabeça-dura), mas não consigo
assistir este filme e não repetir a seguinte conclusão: Que merda de história!
Ao contrário do que a maioria diz, acho, de longe, o pior filme já feito sobre
este querido herói da DC. Não vejam! Mas se forem assistir, assistam apenas
para destilar um pouco o veneno.
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