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Star Wars - Episódio IV - Uma nova esperança


Nota: 6
Ano: 1977
Ator 1: Mark Hamill
Ator 2: Alec Guiness
Diretor: George Lucas
Oscar: Disputou 11 estatuetas e ganhou 7!
Se enquadra nas seguintes categorias: O mundo é uma merda; Vale pela trilha sonora; Persevere que tudo vai dar certo; Ação sem fôlego.
Comentário: A lendária série de filmes de Star Wars possui uma vasta gama de fãs espalhada por todo o mundo. Trata-se, ainda, de um grupo de fãs diferenciado dos demais. São pessoas que colocam o filme em um grau de infinita superioridade em relação ao restante do cinema, que simplesmente descartam qualquer crítica feita à obra, desprezando ainda mais quem possui o topete de dizer que não gostou do filme. Não é incomum, ainda, ver fãs deste filme se encontrando fantasiados em locais públicos como os personagens da trama ou pagando os olhos da cara por uma pequena estatueta de um personagem. Por esta situação peculiar, a obra é capaz de, no mínimo, instigar a curiosidade de todas as pessoas, até mesmo as que sabem que detestam filmes de ficção cinetífica, que são quase compelidas a assistir esta película para descobrir quais os motivos de tamanho frisson.
E os motivos não são poucos! Os filmes de George Lucas revolucionaram o mundo do cinema no final dos anos 70 com o aprimoramento de dois recursos que, depois do sucesso de Star Wars, tornaram-se imprescindíveis para garantir a qualidade de um filme de ação ou ficção cinetífica: Os efeitos especiais e a trilha sonora. De fato, os filmes até o ano de 1977 possuíam efeitos especiais limitados, que necessitavam sempre da imaginação de seu público para que as evidentes técnicas utilizadas não fossem enxergadas (como cordinhas carregando alguém que voa, fogos de artifício simulando explosões, zíperes em fantasias, maquetes que fingiam ser cidades de verdade, entre outras). A saga de Star Wars apresenta, neste tocante, uma qualidade impressionante para o período: As batalhas de naves no espaço, os tiros de raio laser, o sabre de luz, as fantasias dos alieníngenas, os cenários de fundo, possuem uma qualidade e uma tecnologia jamais vista, qualificada entre as melhores até o início dos anos 90. Ainda, a trilha sonora completamente inovadora garantia a atenção de qualquer espectador que tentasse desprender os olhos da telinha, com músicas que até hoje são cantaroladas pelo público e, não bastando, com sons e ruídos que são reconhecidos instintivamente até por quem nunca viu a trama (como o grunhido do Chewbacca, o som do sabre de luz ou da arma de raio laser. Vocês já pararam para pensar que o som do sabre de luz não existe? Que a pessoa que criou isso não apenas copiou um som, mas inventou ele do zero? Parece uma coisa óbvia, mas é uma criação impressionante!). Enfim, esta revolução no mundo do cinema, especialmente em elementos tão cativantes como a trilha sonora e os efeitos especiais, foi suficiente para conquistar a legião de jovens dos anos 70 para sempre, e estes jovens fizeram questão de reproduzir este fanatismo para a próxima geração. Star Wars é uma marca que não cairá tão cedo em desuso.
Aliás, esta saga possui outra técnica utilizada por seu diretor que é completamente inovadora: Ela é dividida em 9 filmes, mas o diretor optou por não começar do início, sendo que o primeiro filme produzido é o quarto da continuação, depois passando para o quinto e o sexto. Só muitos anos depois é que decidiram produzir os três primeiros filmes da história (os demais ainda não foram produzidos. Serão feitos em poucos anos, já que a Disney comprou a série de George Lucas com o claro objetivo de dar continuidade à trama). Não se trata de mais uma história alinear, que simplesmente começa no fim e depois retorna para o começo: o filme realmente deveria ter sido contado pelo primeiro, nos moldes que seu roteiro foi originalmente escrito! Muitos elementos da obra que não fazem sentido inicialmente, personagens que não parecem ser importantes e muitos outros “buracos” da história só poderão ser compreendidos depois que os primeiros filmes forem assistidos. Uma manobra ousada do diretor, que, por seu sucesso, merece muitos aplausos.
No entanto, na minha ousada opinião, penso que Star Wars é uma das raras sagas em que o conjunto dos filmes é muito melhor do que cada uma das peças individuais (da mesma forma que Harry Potter). Em verdade, nas demais tramas, sempre temos um filme de grande destaque, de qualidade muito superior aos demais, que serve de locomotiva para as suas continuações de qualidade inferior. Em Star Wars, contudo, separando individualmente os filmes, não consigo dar grande destaque para qualquer deles. São obras razoáveis que, juntas, formam uma saga histórica. Não bastando, ouso dizer que esta imensa saga é elogiadíssima em grande parte levando-se em conta as limitações de sua época, mas que, relevando-se o período que foi feito (quando realmente era um dos melhores), o filme não é hoje um dos melhores já feito na história. Infelizmente, o gigante do passado torna-se um divertido filme comum se comparado à muitos de seus sucessores (muita, mas muita gente mesmo, discorda do que eu acabo de escrever).
Passamos agora a falar unicamente sobre a primeira peça produzida (a quarta da continuação), realizada no ano de 1977. O filme conta a história de Luke Skywalker (Mark Hamill), um jovem que vive em um planeta simples com seus tios, já que seus pais estão mortos. O universo é dominado por um grande império que possui como comandante militar o temido Darth Vader (David Prowse). Luke descobre, por meio de seu vizinho: o idoso Obi-Wan Kenobi (Alec Guiness) que seu pai era um dos lendários cavaleiros Jedi, defensores da paz e da justiça que existiram em um período de democracia anterior à tomada de poder pelos imperialistas). Obi-Wan reconhece os antigos poderes dos Jedis em Luke, e resolve levá-lo em uma missão visando ajudar os rebeldes a lutar pela destituição dos imperialistas. Assim, esse grupo de rebeldes, sob a liderança da Princesa Léia (Carrie Fisher), com a ajuda do mercenário Han Solo (Harrison Ford) e muitos outros personagens lendários, formam o grupo de mocinhos que receberão a imensa responsabilidade de mudar o mundo.
A ingenuidade do primeiro filme é patente, com diálogos simplistas e sentimentos primários. A distinção entre mocinho e bandido é evidente, trazendo a saudosa dicotomia bem X mau do cinema daquele período (é interessante que, com a evolução dos anos e a produção dos próximos filmes da saga, o bem e mau, tão preto e branco, vai se tornando cinza). No entanto, deve-se repetir os elogios à trilha sonora e aos efeitos especiais já suscitados (com excessão da morte de um dos personagens principais, que, me desculpem os fãs, é uma cena ridícula. A cena, que deveria ser uma das mais marcantes de toda a saga, é tão tosca que é praticamente ignorada por sua horda de fãs). Ainda, cabe grande destaque à fotografia, que será admirada e copiada até os dias de hoje.
Resumindo: É um mundo fantástico, uma invenção maravilhosa, que se tornou um dos maiores signos da história do cinema, capaz de gerar suspiros e aplausos em toda a população do ano de 1977. Com o passar dos tempos e a evolução natural do cinema, passou a ser um filme que só será aplaudido de pé pelos fãs de filmes de ficção científica, embora não deixe de ser apreciado contidamente pelos demais.
Por fim, fica o conselho para aqueles que ignoram o valor histórico do filme e não se sentiram muito contentes com esta primeira obra: Vale a pena insistir e assistir suas continuações; a história melhora e o conjunto da obra é bastante aprazível.