O rei leão
Tweet
Nota: 9
Ano: 1994
Ator 1: Matthew Broderick
Ator 2: Jonathan Taylor Thomas
Diretor: Roger Allers/ Rob
Minkoff
Oscar: Concorreu a 4 e ganhou 2.
Se enquadra nas seguintes
categorias: O mundo é lindo; Vale pela trilha sonora; Infantojuvenil; Frases de
efeito; Escapista; Vendetta; Um dos protagonistas é um animal.
Comentário: O rei leão, na minha
opinião, é o melhor filme já feito pela Disney! Esta qualificação já é
suficiente para demonstrar a magnitude e a qualidade da obra. E não pense que
este efeito paira apenas sobre mim; em 2012 este filme foi relançado nos
cinemas em sua versão 3d e, 18 anos depois da sua primeira aparição (mesmo com
98% do público já tendo assistido à película), liderou a lista dos filmes mais
vistos no mundo por 4 semanas. Afinal, ninguém cansa de assistir Simba, Timão,
Pumba e companhia. Aliás, se eu ligasse a TV e o filme estivesse passando neste
momento eu pararia de escrever agora e começaria a ver o filme novamente;
aposto que grande parte dos leitores fariam a mesma coisa.
Muitos são os pontos positivos do
filme que o tornam merecedor de sua nota 9, vamos tentar elencá-los nos
próximos parágrafos:
- Roteiro impressionante: A
história é uma maravilhosa adaptação de Hamlet ao público infantil (você nunca
tinha percebido isso? É só comparar! O “ser ou não ser” é a simples reticência
de Simba em largar o Hakuna Matata e ir se vingar de seu tio para se tornar rei).
A Disney acerta em retomar sua antiga fórmula, inexplicavelmente abandonada, de
utilizar animais com condutas humanas para prender e transmitir ensinamentos
para as crianças. Simba (Jonathan Taylor Thomas) é um filhote de leão e futuro
herdeiro do reinado dos animais na savana africana, que hoje pertence ao seu
pai, o imponente Mufasa (com a retumbante e eterna voz de James Earl Jones, que
também faz a voz de Darth Vader, acredita?). Simba, como qualquer criança,
sonha em se tornar adulto e poder se livrar das “garras controladoras de seus
pais”, para finalmente poder fazer o que quiser. Como todo desejo de criança,
ele não tinha refletido profundamente sobre as responsabilidades e os desafios
que surgiriam acompanhados dessa ambição. Tanto que, com a morte de seu pai (o
momento mais impressionante e mercante de toda a história da Disney), Simba se
vê aterrorizado com a perspectiva de se ver sozinho no mundo, tendo que
disputar poderes com usurpadores, como seu tio Scar (a voz de Scar na versão em
português, de Jorge José Ramos, é muito melhor do que a versão americana, de
Jeremy Irons), e resolve fugir de seu próprio reinado. O filme, portanto, conta
história de Simba enfrentando seus medos e reencontrando sua identidade como
rei.
Fotografia: Provavelmente os
profissionais do cinema devem rir deste meu parágrafo. Afinal, nem imagino se é
tecnicamente correto falar em “fotografia” nos filmes de desenho animado. O que
tento expor aqui é que “O rei leão” inova completamente ao fazer sequências de
imagens através de ângulos nunca vistos em um desenho, acrescidos ainda das
cenas mais belas e emblemáticas que a Disney poderia produzir (e a savana
africana só ajuda neste tocante). Com efeito, o grande motivo da fotografia ter
se tornado de tamanha importância para o cinema advém do fato de que é o melhor
instrumento para suprir as defasagens criativas de nossa limitação física para
reproduzir aquilo que imaginamos em uma cena concreta. No desenho animado, a
busca por uma imagem com maior proximidade ao que imaginamos é mais fácil, e,
por isso, geralmente nos deparamos com cenas estáticas e não muito inovadoras,
deixando apenas para a animação passar a mensagem e a ambientação desejada. Mas
“O rei leão” é a prova viva de que uma boa adoção de ângulos inusitados,
repletos de uma combinação de cores previamente escolhidas é a receita para
transportar um filme para outro nível de qualidade (a sequência inicial do
filme, do nascimento de simba, é talvez os 5 minutos mais bonitos de uma
animação no cinema). Quanto às cores, cabe ainda destacar a valorosa manobra
feita pelos técnicos do filme, que mudam completamente a aquarela anteriormente
utilizada para retratar o período de vida de Simba com Timão e Pumba; neste
trecho as cores são muito mais vivas e cômicas, justamente para retratar um
refúgio psicológico dos problemas deixados para trás (isso é viveeeeeer, é
aprendeeeeer).
Trilha sonora: Outro ponto
fortíssimo da obra, ou melhor, ponto fortíssimo da história do cinema. Sob o
talento de Elton John, o filme é recheado de músicas brilhantes, que garantiram
as indicações ao Oscar supracitadas e resultaram na sedimentação do filme em
nossa mente para toda vida. É impressionante, mas conhecemos TODAS as músicas
do filme, que vira e mexe assombram nossa mente e não saem de jeito nenhum da
nossa rádio mental. Vou apenas citá-las aqui para relembrarmos a grandiosidade
do filme: “O que eu quero mais é ser rei”; “The circle of life”; “Hakuna Matata”;
“The lion sleeps tonight”. Pronto! Escolha uma e fique cantarolando
incontrolavelmente até o fim do dia.
Outro destaque para o filme é o
misticismo apresentado durante toda obra, representado no guia espiritual
Rafiki e nos momentos de reencontro de Simba com o espírito de seu pai. Embora
normalmente parte do público seja aversa a eventos místicos nos filmes,
principalmente quando se referem a religiões diversas da sua própria, tal
elemento é sempre bem aceito quando se procura retratar a velha áfrica e sua
origem. No filme, tal misticismo é adotado com grande naturalidade e sem
grandes propagandeios, o que faz ser impossível não achar lindo o ritual de
batismo do pequeno leão.
Enfim, poderíamos passar dias
suspirando por cada ponto positivo desta obra-prima, mas acredito que
racionalizar todos os elementos identificados poderia resultar em um efeito
prejudicial que tornaria a obra menos mágica. Resta apenas colocarmos a obra em
sua regular posição de destaque, torcendo para que algum dia seja feito outro
filme que consiga rivalizar com sua qualidade; o público agradecerá!
Anterior
Próximo

