Exibir Cartazes

Procurando Nemo


Nota: 8
Ano: 2003
Ator 1: Albert Brooks
Ator 2: Alexander Gould
Diretor: Andrew Santon
Oscar: Ganhou um dos quatro oscars a que foi indicado.
Se enquadra nas seguintes categorias: Besteirol; Infantojuvenil; Filmes para crianças com piadas para adultos; Frases de efeito; Um dos protagonistas é um animal.
Comentário: No mundo da comédia, especialmente da comédia infantil, existem dois tipos de pessoas: O primeiro é aquele que ri alto de todas as piadas pastelões óbvias, mas sempre eficazes, que são típicas dos filmes infantis; para eles a diversão é garantida, isto é,  qualquer careta do protagonista quando se machuca é suficiente para preencher a missão de arrancar risos de seu público. O segundo, um pouco mais difícil, é aquele cidadão que assiste um filme infantil da mesma forma que assiste um filme adulto, geralmente compenetrado e com alguns comentários esparsos sobre a continuidade da obra; esta pessoa chega ao ápice de um leve sorriso com a cena mais engraçada do filme, embora, no final, fale que adorou o filme e seus personagens (existe ainda um terceiro tipo que detesta filmes infantis de comédia, este tipo é ignorado por esta classificação, pois não gostar de filmes “Disney’s Style” resulta, segundo os melhores cientistas de Houston e todos os pesquisadores de Massachussets, em danos irreversíveis à saúde).
“Procurando Nemo” é um daqueles raros e deliciosos filmes que pega esta classificação e faz tudo virar do avesso. Aquele ser comedido e compenetrado se supreende com sua primeira risada logo nos primeiros vinte minutos da película e acaba entrando em um rodamoinho de diversão que só irá terminar com os caracteres avisando o fim da obra. Os mais suscetíveis ao riso, por sua vez, começam o filme como sempre fizeram, rindo de tudo, mas se assustam com o parceiro sério rindo mais alto do que eles e acabam, muitas vezes, apenas apreciando a diversão de seu companheiro (ou não! Tem vezes que estas pessoas se soltam ainda mais e quase ficam sem ar de tanto rir). Não bastando, é capaz até daqueles-que-não-devem-ser-mencionados (os odiadores de comédias infantis) gostarem e aprovarem o filme, com a célebre frase “Este filme até que é legal, mas o resto da Disney é insuportável!”
É curioso como a evolução das piadas deste filme estão maravilhosamente encadeadas, sendo imprescindível que o filme seja visto de uma só vez e sem interrupções. De fato, ver uma piada esparsa do filme ou ter uma pausa relevante durante a obra prejudica, e muito, a qualidade da diversão por ele proporcionada (confesse, ver a cena do baleiês sem estar completamente envolvido na mentalidade da Dory é tão sem graça que gera até mesmo uma ponta de vergonha em quem ama aquela cena célebre).
Mas qual o segredo de tal sucesso? Tentei entender um pouco o motivo da aprovação geral do público e, além da óbvia percepção de que o roteiro é ótimo e os personagens são demais, acabei observando que a personagem Dory (Ellen DeGeneres), principal motivo das risadas, pertence ao exclusivo e raro grupo dos personagens praticamente insanos que transformam os filmes animados de aventura em comédias besteiróis e surreais. Este grupo de personagens, embora sempre tenha alcançado sucesso de público, encontrava-se em defasagem, tendo como último representante o gênio da lâmpada de Alladin (1992) ou, no máximo, Timão e Pumba (1994 – embora não os considere tão lunáticos assim). Observa-se, assim, que o público estava saudoso deste tipo de personagem, extremamente necessário para atrair o tom lúdico que todo ser humano inconscientemente carece. É certo que Shrek (2001), já havia suprido a necessidade de um filme completamente lúdico, mas o público ainda exigia um filme encantador de aventura que apenas tivesse alguns poucos elementos de insensatez concentrados em um personagem, e, para isso, Dory foi vital para o sucesso observado.
Para você, pequeno extraterrestre que não viu o filme, devo apenas indicar que o filme conta a história de Marlin (Albert Brooks), um peixe palhaço (que por ironia não é engraçado), pai superprotetor de Nemo (Alexander Gould), que perde seu filho nas imensidões do oceano e parte em uma aventura incrível para resgatar seu filho. Com pitadas de trama, pequenas lições de amor e amizade, e muitas piadas inteligentes, “Procurando Nemo” é o filme ideal para marcar a infância de seu filho e trazer de volta a criança em você que é adulto.
Em suma, “Procurando Nemo” alcançou o raro status de “filme imperdível”; qualquer ser que tiver a coragem de falar em voz alta que não o assistiu será rapidamente reprovado socialmente. Se você é um deles, keep calm, pare de ler esta resenha e vá imediatamente ter seus 101 minutos de puro prazer (“continue a nadar, continue a nadar”).