A outra face
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Nota: 7
Ano: 1997
Ator 1: Nicolas Cage
Ator 2: John Travolta
Diretor: John Woo
Oscar: Uma indicação, não ganhou.
Se enquadra nas seguintes
categorias: O principal é imbatível; Desculpinhas para criar cenas de luta;
Vendetta; Ação sem fôlego; Policial.
Comentário: Todos os personagens
das histórias atuais são cinzas. Não estou falando do mais novo blockbuster (e
de gosto duvidável) “50 tons de cinza”, estou falando que a clássica divisão
clara entre o bem e o mal encontra-se desgastada e, por isso, os bons mocinhos
atuais possuem “um quê” de bandido, enquanto os bons vilões sempre possuem um
fundo de verdade e justiça nos seus atos malignos. Mas não são poucos aqueles que sentem falta do
velho e vencedor modelo mocinho versus bandido. Eis aqui um filme que é uma
ótima opção para todos; satisfazendo os fãs do preto, do branco e do cinza.
Isso porque o filme evidencia
desde o começo que o mocinho é Sean Archer, policial sério que ama sua família
e sofre pelo assassinato de seu filho, e que o bandido é Castor Troy, impiedoso
terrorista responsável pelo assassinato supracitado. Contudo, os atores que
interpretam estes personagens (Nicholas Cage e John Travolta) revezam-se na
atuação, sendo que em alguns trechos da obra Cage é o terrorista e Travolta
interpreta o policial, mas nas partes restantes estes papéis são invertidos, de
modo que o espectador pode desfrutar do lado negro e do lado virtuoso de ambos
os atores (aliás, curiosamente este é o único vilão interpretado por Cage até o
presente momento).
A história já começa mostrando a
relação duradoura de ódio entre os dois personagens principais da trama. Quando
o terrorista Troy entra em coma, o policial Archer pensa que sua rixa pessoal
com o bandido estava terminada, mas é surpreendido ao saber que o bandido
instalou uma bomba que está perto de explodir em algum lugar da cidade. Os
únicos que sabem a localização da bomba é o terrorista em coma e seu irmão, que
está preso e nunca revelaria o local exato da explosão. A solução encontrada é
muito dolorosa para o diligente policial: Ele deverá se submeter a uma
inovadora cirurgia de transplante de rosto e assumir a aparência física de seu
inimigo, fingindo ser o perigoso Castor Troy para convencer seu irmão a revelar
o local onde o explosivo se encontra.
Contudo, enquanto esta missão é
executada, o terrorista sem rosto desperta de seu coma e consegue coagir os
cirurgiões a transplantar a face do policial para seu próprio corpo. Eis que a
inversão da aparência física, como diria a vinheta da sessão da tarde, vai
gerar muita confusão, inaugurando uma nova e implacável perseguição entre os
dois desafetos.
O roteiro é divertido, recheado de
cenas de ações e com enorme potencial para prender a atenção do público durante
todo o tempo. As cenas de perseguições implacáveis e inusitadas, marcas
características do diretor John Woo, testam a paciência dos mais céticos com os
filmes de ação cheios de “manobras impossíveis”, mas nada que prejudique a
qualidade da diversão proporcionada.
A fotografia possui uma qualidade
superior aos filmes de “ação sem fôlego” em geral, e é substancialmente
aprimorada com as qualidades técnicas de Travolta e Cage, que conseguem repetir
os trejeitos um do outro com uma qualidade ímpar. Não digo que não é possível
questionar o gosto pessoal destes atores, que insistem em fazer filmes de gosto
duvidável (e outros de qualidade indiscutível), mas não há quem consiga argumentar
em sentido contrário quando se afirma que ambos possuem uma atuação merecedora
de aplausos na presente película.
O filme parece ser um pouco
inocente e meio água com açúcar? Talvez eu até concorde, mas a qualidade de
todos os seus elementos faz com que ele seja elevado a um patamar raro de
diversão alcançada pelo público em geral. Nem todos os filmes devem
sobrecarregar os corações do público, que também precisa de algo leve para sua
rotina. Nestes momentos de leveza, poucos são os filmes mais recomendáveis que “A
outra face”.
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