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Não conte a ninguém


Nota: 6
Ano: 2006
Ator 1: François Cluzet
Ator 2: Marie-Josée Croze
Diretor: Guillaume Canet
Oscar: Não concorreu.
Se enquadra nas seguintes categorias: O quêêê????; Alternativo; Policial.
Comentário: Existe uma lei universal no mundo que diz que, quando um filme é baseado em um livro, você deve optar por uma das duas obras para ser realmente aproveitada, a outra será um mero complemento que você não irá curtir em todo o seu potencial. Portanto, ou você assisti primeiro o filme e depois acha o livro um pouco moroso, mas “legalzinho”; ou você lê o livro primeiro e acha que o filme tem vários furos e é incompleto. É esta situação deste filme, baseado no livro de Harlan Coben de mesmo título (aliás, recomendo qualquer livro deste autor, especialmente o “Desaparecidos para sempre”).
Nesta obra, Alex (François Cluzet) é um homem que se encontra ainda em recuperação psicológica da traumática morte de sua mulher Margot (Maria-Josée Croze), quando descobre que ela ainda está viva! Como ela sobreviveu? Qual o motivo dela nunca ter entrado em contato com ele? Como as pessoas deram ela como morta? As perguntas do protagonista são muitas e ele possui pouquíssimos recursos para obter respostas já que a polícia ainda o considera o principal suspeito da morte de sua cônjuge e nenhum elemento inicial parece justificar todos estes acontecimentos. O enredo realmente é intrigante, como todos os outros criados por Harlan Coben, e cada segredo revelado seguramente não decepcionará o espectador.
Sendo uma pessoa que leu primeiro o livro, tenho que afirmar que o filme é um pouco apressado demais, tudo acontece muito rápido, fazendo com que o público, caso não tenha lido a obra, tenha reais dificuldades em entender o que realmente está se passando (se o público em geral não consegue acompanhar, eu concluo que a história está sendo mal contada. Descarto os argumentos covardes de “narração inteligente”). Ademais, ao final, se você é uma pessoa que gosta de analisar as motivações de cada personagem para agirem da forma que o fazem ao final, você perceberá que muita coisa terminou sem explicação, podendo inclusive taxar a obra de incoerente ou incompleta (as explicações você poderá encontrar satisfatoriamente na obra literária). Ainda, não consigo relevar o fato de que o final da trama cinematográfica é completamente diferente do livro, e que o final do livro é cerca de 100 vezes melhor (alguém me explica porque trocar um final surpreendente por outro bem pior?)
A atuação não é ruim, mas François Cluzet está longe de utilizar todo o seu potencial artístico (que pode ser observado no maravilhoso filme “Intocáveis”) e Marie-Josée Croze não tem nenhuma cena digna de ser marcada como extraordinária.
Para ser sincero, é evidente, desde o princípio, que o filme foi produzido com um baixo orçamento, tentando ao máximo encurtar uma ótima e detalhada história para que esta pudesse ser contada em duas horas de filme.
Portanto, é um ótimo roteiro, adaptado de forma ordinária para as telinhas e com uma atuação mediana. Resumindo: Quer um filme policial tragável para acompanhar com uma pipoca em dia chuvoso? Experimente este aqui.