Exibir Cartazes

Mash


Nota: 3
Ano: 1970
Ator 1: Donald Sutherland
Ator 2: Eliott Gould
Diretor: Robert Altman
Oscar: Concorreu a cinco oscars e ganhou um.
Se enquadra nas seguintes categorias: Sessão da tarde; Mão na consciência; Humor britânico; Besteirol; Relacionado à história; Escapista; Guerra.
Comentário: Você consegue imaginar um filme de comédia de estilo pastelão que tenha concorrido a cinco oscars e que foi premiado no mundo inteiro? Parece ser o melhor filme de comédia de todos os tempos, não? Pois bem, foi estas características iniciais que me fizeram comprar um dvd deste filme, o qual nunca tinha ouvido falar anteriormente.
Mas não é só! O filme não apenas foi um grande sucesso na época, como resultou na produção de uma série de mesmo nome que ficou 11 anos no ar em pleno horário nobre americano. Ainda, ele é até hoje elogiadíssimo pela crítica especializada de cinema; Rubens Edwald Filho (o crítico de cinema brasileiro mais famoso), por exemplo, qualifica esta obra como um filme cinco estrelas!
Curiosamente, na contramão de todas as características supracitadas, não conheço pessoalmente nenhuma pessoa que tenha gostado de assistir esta obra. Aliás, não só não gostei, eu realmente detestei! Precisei me esforçar muito para assistí-lo até o fim (e olha que sou famoso pela minha capacidade de assistir filmes muito ruins até acabar)!
A comédia retrata a rotina dos médicos cirurgiões da unidade móvel do exército americano (cuja sigla em inglês é M.A.S.H.) durante a guerra da Coréia (embora seja perceptível que as críticas e piadas visem atacar o comportamento do exército e do governo americano na guerra do Vietnã, que ainda estava ocorrendo no ano de produção da película). Nesta unidade, um grupo de médicos super capacitados (entre eles Donald Sutherland e Eliott Gould) consegue trabalhar com uma competência ímpar, embora distõe completamente do comportamento exigido pelo exército, já que seus médicos possuem o único objetivo de se divertir o tempo todo, bebendo, arrumando mulheres, fazendo piadas e pegadinhas com seus colegas e superiores.
Portanto, o filme é apenas uma dentre as muitas críticas à Guerra do Vietnã, ao exército americano e suas excrescências. Aliás, não são poucos os filmes de ótima qualidade que foram feitos com este objetivo, a maioria no gênero do drama (como o filme “Platoon”). Natural, portanto, que a obra tivesse o clássico desejo de realizar o “ridendo castigat mores”.
Qual o problema do filme então? O problema é que se trata de um filme que abre mão de um roteiro coerente e revela desde o início o único intuito de fazer piadinhas escrachadas, mas que é incapaz de arrancar o mínimo riso do público! Repita-se, é um filme sem história, com uma piada atrás da outra, que não é capaz de produzir um único sorriso em quem o assiste (Excepcionando-se as pessoas que riem com qualquer coisa. Nestes casos a qualidade está na pessoa, e não no filme).
A atuação de todo o elenco é feita no maior estilo pastelão, digna de “Chaves” e “Os três patetas”, o que não teria problema nenhum se a obra fosse engraçada. Curiosamente, Eliott Gould foi endeusado por sua atuação neste filme, embora eu não consiga vislumbrar uma cena em que a atuação deste ator seja digna de aplausos.
Algumas pessoas poderiam contestar esta minha avaliação afirmando que este era o humor da época. Contudo, não considero que esteja desconsiderando esta característica, estou afirmando que todo humor pastelão feito em período contemporâneo ao filme que vi em toda a minha vida é mais engraçado do que o conteúdo nele apresentado.
O sucesso de público e de crítica da obra é um dos maiores mistérios apresentados por este blog. Nada é mais imperdoável no cinema do que uma comédia que não consegue ser mais engraçada que um drama.