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Os intocáveis


Nota: 6
Ano: 1987                
Ator 1: Kevin Costner
Ator 2: Sean Connery
Diretor: Brian de Palma
Oscar: Concorreu a quatro oscars e ganhou um.
Se enquadra nas seguintes categorias: O mundo é uma merda; Vale pela trilha sonora; Baseado em fatos reais; Relacionado à história; Máfia; Policial.
Comentário: Minha opinião sobre qualquer elemento deste filme poderia se resumir na seguinte frase: “Não é ruim, mas não é tão bom quanto falam por aí”.
Comecemos pelo diretor: Brian de Palma é tido por grande parcela do público como um dos melhores diretores do cinema, o que eu considero um grande exagero. Ele “não é ruim, mas não é tão bom quanto falam por aí”. Com alguns filmes de sucesso, como “A dália negra” e “Missão impossível”, o diretor é famoso por sua ótima capacidade em maximizar a qualidade da fotografia de seus filmes. Por outro lado, não é errado afirmar que o diretor acaba pecando no resultado final do roteiro, muitas vezes o tornando confuso ou enfadonho. Entre prós e contras, no fim das contas, o real motivo que me faz achar o diretor supervalorizado é que não vejo nenhuma obra dele que seja passível de ser incluída entre as melhores de todos os tempos; é um diretor de poucos sucessos, e sucessos apenas medianos.
Quanto ao filme em si, temos que o roteiro conta a história parcialmente real (já que muita coisa foi floreada) de um chefe de polícia (Kevin Costner) que possui a singela missão de conseguir provas substanciais para prender Al Capone (Roberto de Niro) e desmantelar o seu reinado mafioso. A dificuldade em conseguir progressos nesta missão se deve ao simples fato de que Capone corrompeu todo o sistema, de modo que o dedicado protagonista é frustrado em todas as suas tentativas. Apenas com a ajuda de policiais incorruptíveis (Sean Connery e Andy Garcia), se isolando do sistema e formando uma espécie de milícia policial, é que os resultados começam a aparecer.
O roteiro parece ser bom, correto? Pois é, mas ele possui o status generalizado de ser uma das maiores obras da história do cinema, havendo, inclusive, quem o coloque no mesmo patamar de “O poderoso chefão” e cia. Não consigo concordar com isso! O filme é bem feito, possui um elenco invejável (apesar de não gostar muito de Kevin Costner e Sean Connery), mas o encadeamento dos fatos é feito de forma morosa, sem percalços emocionantes, de modo que a obra não fará acelerar o coração do telespectador em momento algum. Honestamente acho que o filme é incapaz de afetar o público, que não fica triste nos momentos dramáticos, feliz nos momentos felizes, ou sem fôlego nos momentos de ação. É ruim? De maneira alguma! Mas não é tão bom quando se ouve por aí.
Os demais elementos da obra compartilham da mesma avaliação acima. Outro exemplo: A trilha sonora é feita por Ennio Morricone. Qualquer trilha por ele realizada possui a expectativa de se tornar lendária! Novamente, acredito que ela não é ruim, mas não alcança todo o potencial do artista já revelado em outras peças cinematográficas.
Por fim, pra não falar que eu peguei pouco no pé do filme, não consegui sequer me divertir na cena mais famosa da trama! Não são poucos que idolatram a cena do tiroteio nas escadarias com o carrinho de bebê em perigosa queda. Contudo, durante toda a cena, eu só conseguia pensar como policiais treinados conseguem acreditar que uma emboscada desastrosa daquelas poderia ser bem sucedida! A morte de inocentes seria certa e a exposição dos agentes de polícia ao perigo se revela completamente desnecessária. A única coisa que veio na minha cabeça foi: “Puta forçada de barra apenas para satisfazer a ambição do diretor de fazer uma cena diferente”. Foi uma boa cena? Foi! Tão boa quando dizem, devo admitir, mas em prejuízo de toda a seriedade do roteiro.
Os dois maiores pontos positivos da película, na minha opinião, são: (I) A atuação de Robert de Niro, que está sensacional no papel do lendário rei do crime (aliás, quantos filmes de máfia contam com a participação do ator? Impressionante!) e (II) a fotografia sempre impecável do diretor (irritantemente impecável, por vezes).
Enfim, reforço que o filme não me proporcionou entusiamo em qualquer das vezes que o vi, mas nunca poderia categoricamente aconselhar alguém a não assistir um filme tão bem conceituado pela crítica técnica e pela opinião pública. Cabe ao leitor assistir a obra e verificar se estou correto ou se, no presente caso, estou apenas sendo um chato de galocha.