Karatê kid - A hora da verdade
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Nota: 7
Ano: 1984
Ator 1: Ralph Macchio
Ator 2: Pat Morita
Diretor: John G. Alvidsen
Oscar: Concorreu a um oscar. Não
ganhou.
Se enquadra nas seguintes
categorias: Sessão da tarde; Esporte; Infantojuvenil; Frases de efeito;
Persevere que tudo vai dar certo.
Comentário: São poucos os filmes
que fazem os olhos de um jovem adulto brilhar de uma forma tão infantil quanto
Karatê Kid! É possível que este mesmo “adulto”, após lembrar do filme, saia
dando o golpe da garça no ar como se fosse uma criança (se você não conhece
este golpe, você é um desses raros aliens que nunca assistiu este clássico). Isso
porque a obra é uma daquelas raras histórias que as mães adoram que os filhos
vejam e os próprios filhos adoram assistir.
Afinal, a vida de Daniel (Ralph
Macchio) é o símbolo de dificuldade de todo garoto no início de sua
adolescência. Bullying, dificuldades para se relacionar com garotas, o
conhecimento de problemas como a desigualdade social e todos os demais
ingredientes completam esta grande obra que deveria se tornar a bíblia do
garoto de 13 anos, mas está cada vez mais próximo do esquecimento (o Jackie
Chan tentou fazer um remake do filme
para atualizá-lo. Não assisti, mas dizem que a magia não aconteceu da mesma
forma).
A história começa com Daniel e
sua mãe mudando-se de cidade, e o garoto está naturalmente infeliz com o
distanciamento de seus amigos e com a necessidade de começar uma vida nova (é
quase um símbolo do fim da vida de criança para o início da vida adolescente).
Não bastando, seu primeiro contato com uma garota local faz com que ele passe a
ser alvo de constantes provocações de um grupo de rapazes (um deles é
ex-namorado dela) que decidem, inclusive, agredí-lo sem grandes motivos para
tanto. Não bastando, a garota é de uma classe social superior a do jovem Daniel,
que fica embaraçado toda vez que sua falta de condições financeiras fica
evidente.
Como lidar com a raiva crescente
do ser humano? Não é de se estranhar que a adolescência seja uma fase tão
atribulada. É nela que tomamos consciência de todos os sentimentos ruins
provocados pelos conflitos do dia-a-dia e é nesse momento que precisamos
ajustar nossa conduta para decidirmos como lidar com tais frustrações ao longo
da vida.
No caso de Daniel, a solução para
seus conflitos externos e, principalmente, para seus conflitos internos é
encontrada por meio dos ensinamentos do eterno Sr. Miyagi (Pat Morita), um
típico sábio oriental que, com paciência, dedicação, disciplina e muito amor,
está pronto para ajudar Daniel a se tornar um homem com retidão. O Sr. Miyagi é
o grande segredo da qualidade do filme! Sua conduta cativante e seus
ensinamentos ácidos não-convencionais são suficientes para prender a atenção de
qualquer um. O personagem tem um potencial tão grande que os pequenos elementos
contados de seu passado geram uma curiosidade enorme no público (e, por isso,
resolveram fazer uma continuação do filme em que este passado seria descrito
com detalhes. Ficou péssimo e quase estraga a magia do primeiro. Pra piorar, o
filme ganha ainda mais continuações, inclusive com uma sequência em que a protagonista
seria a Hilary Swank... e você achando que ela aprendeu a lutar com o Clint
Eastwood em “A menina de outro”...).
É com a ajuda do Sr. Miyagi, que
também é faixa preta em artes marciais, que Daniel-San (como é chamado pelo
velho oriental) resolve entrar em um torneio de Karatê em que seus algozes
também estarão presentes. É lá que o protagonista deseja mostrar a que veio,
não para vencer, mas para afirmar que deve ser respeitado como indivíduo.
Os outros garotos, no entanto,
são treinados por um mestre que justamente representa o outro caminho possível
de ser escolhido em nossa vida. O caminho da agressividade, da ausência de
compaixão e a ânsia de vencer acima de tudo, sob pena de um merecido castigo de
raiva e amargura.
O filme, além de simbólico, é
cativante, inspirador e capaz de mudar a vida de um jovem garoto sonhador e
cheio de vontade de aprender a lidar com o mundo. Se é uma pena que não temos
muitos Senhores Miyagis por aí para ajudarmos na difícil missão de educarmos
nossos garotos, devemos pelo menos agradecer o fato desta maravilhosa obra estar à
disposição para contribuir um pouco com esta árdua tarefa. Não continue sendo um adulto
que não viu este filme! Ainda, não deixe de mostrar para seu pequeno!
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