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A gaiola das loucas


Nota: 5
Ano: 1996                
Ator 1: Robin Williams
Ator 2: Dan Futterman
Diretor: Mike Nichols
Oscar: Concorreu a um oscar, não ganhou.
Se enquadra nas seguintes categorias: Sessão da tarde; Mão na consciência; Besteirol.
Comentário: Antes de ler meus comentários sobre o filme, preciso avisar que não sou uma pessoa fácil de ser agradada por comédias. Portanto, se você realmente gosta deste tipo de gênero, é possível que este filme lhe seja mais aprazível do que foi para mim.
Fazer comédia não é fácil. O ser humano é muito mais suscetível a se emocionar e chorar com um drama do que se divertir e gargalhar com uma comédia (isso é um pouco triste não?). Portanto, um drama enfadonho é admitido no cinema, enquanto uma comédia sem graça torna-se insuportável. Eis o problema e o mérito do filme “Gaiola das loucas”: Ele, pela qualidade dos autores e pelo roteiro bem escrito, consegue se tornar suportável, e até mesmo agradável, para o público em geral (o que a maioria das comédias não consegue), todavia, mesmo com tais adjetivos, o filme não consegue arrancar gargalhadas; e não há como aplaudir uma comédia que se limita a conseguir sorrisos de sua platéia.
A obra é um remake do filme francês de mesmo nome, feito em 1978. A versão francesa foi de grande sucesso em sua época e acabou conseguindo duas continuações nos anos 80 (não assisti a esta versão original, mas é possível que ela seja melhor e mais engraçada do que sua regravação americana). Mas, caminhando ainda mais para o passado, é possível observar que o roteiro é originalmente escrito para o teatro, de modo que acredito que a peça deva ser muito mais engraçada do que a obra cinematográfica. Tanto que diversas vezes ela já foi interpretada com sucesso em diversas casas pelo Brasil (sendo a mais famosa aquela que conta com Miguel Fallabella e Diogo Vilela no elenco).
O roteiro conta a história de um casal heterossexual (Dan Futterman e Calista Flockhart) que pretende se casar e organiza um jantar entre seus pais para que as famílias possam se conhecer. O problema é que os pais da garota (Gene Hackman e Dianne Wiest) são conservadores e desconhecem o fato de que o pai do noivo (Robin Williams) é homossexual e é casado com outro homem (Dan Futterman). O noivo, com medo da reprovação de seus futuros sogros, pede para que seu pai finja ser heterossexual. O encontro destas duas famílias será o palco para todas as piadas que acontecerão ao longo do filme.
Com a sinopse acima apresentada, naturalmente duas expectativas surgem na cabeça das pessoas: (I) Lá vamos nós assistirmos uma película recheada de clichês sobre a homossexualidade (II) em que existe evidente desrespeito aos gays. A primeira expectativa é prontamente atendida; imediatamente é possível observar que um dos homossexuais (Nathan Lane) possui uma afetação extraordinária e, portanto, rouba a cena com seus trejeitos caricatos e espontâneos que vão acontecendo ao longo da trama; o casal homossexual é retratado como envolto a uma sexualidade exacerbada em seu dia a dia (com objetos fálicos e obras de arte sexualizadas espalhadas pela residência) e etc. Todavia, fico em dúvida se os preconceitos da trama conseguem ser ofensivos para a população homossexual. De fato, embora o filme seja uma caricatura exagerada e falaciosa do mundo gay, não consigo observar um exagero que possa ser considerado ofensivo. Ainda mais que, grosso modo, o intuito do filme é justamente mostrar que as diferenças do casal conservador e do casal homossexual devem ser relevadas para que a felicidade de seus filhos seja completa. Doravante, o filme tenta mostrar que o pai conservador e preconceituoso da noiva poderia usufruir de novas amizades se jogasse fora o seu preconceito secular antiquado.
Não querendo ser injusto com o filme, quero ressaltar que o roteiro é muito bem feito, e a trama consegue prender o público até o seu final. Deve-se ainda elogiar a sempre competente atuação de Robin Willians e Gene Hackman. Nathan Lane também merece créditos por sua competência ao interpretar a personalidade mais caricata (devo admitir que as vezes acho que este papel poderia ser melhor interpretado, mas na maior parte do tempo concordo com a opinião geral de que ele está bem no papel) Mas não consigo fugir do elemento notório de que se trata de um filme pastelão que não consegue seu objetivo primordial: arrancar risadas. É como cerveja sem álcool, arroz sem feijão, Bochecha sem Claudinho, etc.
Portanto, a obra não consegue alcançar aquele raro patamar de comédias recomendável para todos, se limitando a ser uma ótima opção para quem gosta de um besteirol e umas risadinhas no fim de semana.