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Wall-E


Nota: 7
Ano: 2008
Ator 1: Ben Burtt
Ator 2: Elissa Knight
Diretor: Andrew Stanton
Oscar: Concorreu a seis prêmios e levou uma estatueta.
Se enquadra nas seguintes categorias: O mundo é uma merda; Mão na consciência; Infantojuvenil; Filmes para criança com piadas para adulto; Escapista; Persevere que tudo vai dar certo.
Comentário: Existe um preconceito natural na sociedade contemporânea de que qualquer animação, desenho animado ou história em quadrinhos tem como público alvo a criançada. Todavia, este tipo de pensamento equivocado fez com que estes ramos artísticos fossem pouquíssimos utilizados para o público adulto nas últimas décadas; o que é uma pena, já que este campo da arte possui recursos únicos que poderiam ser explorados de formas infinitas, e não o são. Pior ainda, para que tais temáticas adultas sobrevivam nestes gêneros, elas são obrigas a se travestir de obras para crianças, perdendo muito do seu caráter reflexivo em busca de um maior entretenimento.
Tentando fugir deste preconceito, eu fico me perguntando se o filme Wall-E realmente é voltado para o público infantil ou se é o nosso preconceito que transfere tal obra para o campo infanto-juvenil. Não que as crianças não gostem (muito pelo contrário, todas as que conheço adoraram a película), mas penso que a temática abordada é dotada de críticas tão ácidas à conduta da sociedade moderna e, ainda, é preenchida por reflexões tão profundas e alarmantes, que acredito que sua mensagem, embora válida para crianças, vise muito mais afetar os pais do que seus filhos.
De fato, o filme retrata uma Terra futurística, em que os seres humanos foram retirados “temporariamente” do planeta para que alguns robôs pudessem realizar uma espécie de faxina, já que a poluição e o lixo produzido haviam tornado a vida insustentável no meio-ambiente inóspito. Todavia, o comprometimento da vida na Terra era mais irreversível do que se pensava, e 700 anos se passaram desde o tempo em que os humanso abandonaram o planeta para viver em espaçonaves.
Assim, o filme começa retratando a vida de Wall-E, um robôzinho carismático e com cara de coitado que tem como função compactar o lixo existente em cubos, para depois empilhá-los. Solitário, sua única companhia são as baratas (que insistem em não morrer), e ele passa os dias triando o lixo e procurando objetos inusitados que possam tornar sua vida menos solitária.
É neste momento que surge um robô muito mais tecnológico, de nome Eva, que chega do espaço com a missão de descobrir se a vida no planeta já se tornou novamente viável. Serão esses dois robôs os responsáveis pela jornada em busca da mudança na conduta dos seres humanos e a uma possível salvação da vida em nosso planeta.
Com efeito, as pessoas são retratadas neste futuro com comportamentos naturalmente decorrentes do nosso comportamento atual: Ninguém sabe interagir com outras pessoas sem utilizar meios eletrônicos e ninguém olha a paisagem que existe ao próprio redor, já que todos estão muito concentrados nas próprias telas de computador (alguma semelhança?). Além disso, os homens não são mais capazes de andar, tendo em vista que, obesos e totalmente dependentes dos aparelhos eletrônicos, todos ficam apenas sentados em veículos móveis e se utilizando da tecnologia para satisfazerem suas necessidades com o mínimo de esforço possível.
A busca por uma mudança na percepção humana é feita de forma divertida, com muitas aventuras que tornam os personagens cada vez mais cativantes (cada minuto que passa faz o robô protagonista se tornar mais bonitinho), e o filme resulta em uma conclusão óbvia a qual todos hoje reconhecem como válida, mas ninguém realmente altera seu comportamento equivocado: Somos crentes de que a solução para a poluição gerada com o desenvolvimento tecnológico humano é justamente um avanço ainda maior na tecnologia. Colocando as coisas de forma mais simples, parece um pouco idiota pensarmos que criamos máquinas para diminuir a poluição gerada pela produção das próprias máquinas.
Enfim, é o típico filme que faz com que eu me sinta um idiota, já que me divirto, aplaudo, acho ótimo, capto a mensagem, reconheço os erros da conduta humana e a necessidade de mudança, mas simplesmente não altero em nada meu comportamento. Parece que estamos mesmo destinados a criar máquinas para empilhar lixos e naves para podermos dar o fora daqui quando o dano for irreversível.
De qualquer forma, tirando meu inconformismo com a minha própria hipocrisia, é um belo exemplar de animação, imperdível para aqueles que são entusiastas do sempre competente e divertido trabalho da Pixar.