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Taxi Driver - Motorista de táxi



Nota: 7
Ano: 1976
Ator 1: Robert de Niro
Ator 2: Jodie Foster
Diretor: Martin Scorsese
Oscar: Indicado para quatro oscars, não ganhou nenhum
Se enquadra nas seguintes categorias: O mundo é uma merda; Alternativo; Manual de como virar um psicopata; O objetivo é chocar.
Comentário: “Taxi driver” é um daqueles filmes que não são recomendáveis para todos e pode não ser apreciado totalmente se assistido em um momento inoportuno. Aliás, não são poucos que se decepcionam quando vão assistir a obra. De fato, as primeiras características aparentes da película cativam o público errado. “É sobre violência? Tem tiroteio? Robert de Niro raspando a cabeça e pagando de piradão psicopata? É um filme de sucesso gigantesco? Tô dentro!”. Repito: os fãs de filmes sanguinários, com tiros e grandes produções podem não gostar do que vão ver. Isso porque o filme é voltado muito mais para o lado psicológico do protagonista, com apenas uma cena pontual de tiro e sangue. É uma obra lenta, com muitas nuances, que exige uma reflexão do espectador.
Com efeito, o filme retrata a história de um motorista de táxi (Robert de Niro), que possui sérias dificuldades de relacionamento, convive em uma sociedade doente (a nossa mesmo! Cheia de violência, apatia e desrespeito com o próximo) e tem tendências à violência. Sabe aquelas 4 ou 5 cinco pessoas que todos nós conhecemos e que possuem sérios problemas comportamentais e que todo mundo brinca que um dia se tornará uma assassina serial? Então, o taxista em questão é o retrato fiel deste personagem, cheio de características anormais que paradoxalmente são encontradas normalmente em muita gente do nosso convívio.
Pois bem, imagine que esta pessoa maluca do seu convívio começa a se sentir cada vez mais em dissonância com a sociedade, começa a se armar e a sonhar em escapar da rotina por meio de uma aventura violenta... vai dar merda né? Pois bem, a história do filme é exatamente esta, um eterno progresso lento (muuuuito lento) de uma pessoa já dotada de dificuldades em se relacionar para uma pessoa extremamente perigosa. O clima de tensão e a espera pelo clímax testa a paciência do público, que, se permanecer focado e se envolver no labirinto de loucura de De Niro, será recompensado no final.
A atuação de Robert De Niro é brilhante! Acho que são poucos os filmes deste gênero que exigem tanto de um ator, e ele cumpre seu papel de forma genial. Jodie Foster, ainda novinha, mostra toda a sua capacidade de atuação que lhe vale o título de melhor atriz-mirim da história (este título foi humildemente atribuído por mim. Não pensem que existe qualquer base técnica para este status). A fotografia é amarelada, de forma a contribuir para a sensação de pessimismo com relação aos acontecimentos que estão por vir; muito competente e cativante. Enfim, o filme tinha tudo para ser um dos melhores de todos os tempos, mas acredito que ele não alcança tal pretensão justamente pelo fato de faltar dinamicidade ao roteiro (não compartilho o entendimento de que o filme deveria ser parado da forma que é).
Portanto, a obra é extremamente recomendável para os cientistas amadores da mente humana, que adoram testemunhar (em filmes) o surgimento dramático de um distúrbio comportamental, mas é extremamente desaconselhável para quem deseja assistir um bom filme de ação.
(Não leia esta parte se você não viu o filme!) O maior mérito da peça está na sua conclusão. São pequenos fatores que fizeram aquele potencial inimigo da sociedade tornar-se um herói para toda a população. Todas as reprovações sociais são esquecidas quando seus problemas psicológicos são voltados para proteger os inocentes, e não para matá-los. O gosto final do filme é amargo, porque nos leva a refletir se realmente nos importamos com as qualidades e motivações das pessoas que admiramos, ou se apenas estamos batendo palmas para seus resultados. É dificil encontrarmos alguém dotado de motivações realmente corretas que conseguem fazer uma diferença positiva para a sociedade, e particularmente penso que somente estas deveriam ser admiradas (de modo que este filme reforça minha vontade de inibir qualquer admiração interna às pessoas que agem certo por motivos errados). Bom filme, boa reflexão!