O último rei da Escócia
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Nota: 6
Ano: 2006
Ator 1: James McAvoy
Ator 2: Forest Whitaker
Diretor: Kevin MacDonald
Oscar: Indicado para um oscar,
sagrando-se vencedor.
Se enquadra nas seguintes categorias: O mundo é uma merda;
Mão na consciência; Baseado em fatos reais.
Comentário: O último rei da
Escócia é um filme que costuma receber muitos elogios do público, e é o grande
responsável por elevar o status de
Forest Whitaker de “personagem secundário competente” para “ator com potencial
de atuação genial e que não costuma ser
aproveitado totalmente”. Na minha opinião, tanto os elogios para o filme quanto
para a atuação de Whitaker são exagerados.
De fato, o filme conta a história
de um médico recém-formado, interpretado por James McAvoy (ator sem sal que eu
insisto em confundir com o Mark Wahlberg, embora eles não tenham semelhança
alguma) que viaja para a Uganda para prestar atendimento médico voluntário e
acaba se tornando um dos principais conselheiros do ditador Idi Amin (Forest
Whitaker). Enquanto a história de Amin é guiada por fatos verídicos que
aconteceram com o polêmico ditador, a história do médico é fictícia, já que ele
nunca existiu.
Amin foi um ditador polêmico, que
tomou o poder com apoio popular, prometendo acabar com as mazelas da população
do pobre país de Uganda e que, após certo tempo, tornou-se paranóico e comandou
uma das maiores chacinas já relatadas na história da humanidade.
Internacionalmente Amin era conhecido por seus comentários ácidos e polêmicos
que, em entrevistas descontraídas, causavam o riso e a simpatia da população
mundial que ignorava a situação de Uganda e a repulsa dos poucos que não
admitiam aquele genocídio em massa.
O filme, portanto, tenta garantir
ao público uma visão mais minuciosa da personalidade do ditador que conseguia
ser o melhor amigo e o pior inimigo de todos ao seu redor.
Obviamente o filme tem seus atrativos
e merece elogios. É raro um filme que retrate o sofrimento e a injustiça a qual
o povo africano é vítima desde sempre, de modo que qualquer tentativa de
retirar debaixo do tapete estas histórias escondidas da população global (que
fica estarrecida com atentados e outros crimes em proporções bem menores que
ocorrem em outros continentes com maior força econômica) é válida, e merece seu
destaque no mundo cinematográfico.
Mas o filme acaba ficando
limitado, com poucas cenas realmente cativantes ou com clímax e conflitos que
realmente pudessem garantir um caráter extraordinário para a trama. A história
verídica de Amin deveria ficar marcada no coração de todos, mas o filme não faz
jus a esta realidade (tornando-se uma mera diversão passageira).
Forest Whitaker realmente tem uma
ótima atuação, como sempre costuma ter em seus papéis com menor destaque e
menor quantia de falas; mas não compartilho da opinião de muitos de que esta é
uma das melhores interpretações da década, que o filme vale só por este ator,
entre outras hipérboles que ouço e leio por aí relacionadas ao tema.
Os demais elementos da película
são ordinários, com atuações sem destaque, fotografia boa (mas só) e trilha
sonora apenas adequada. Resta ainda uma leve crítica à deficiência do
relacionamento dos dois protagonistas com os outros personagens secundários
(acho que a história dos demais médicos e da mulher de Amin deveria ter sido
trabalhada de forma a aproximar o público e gerar uma dramaticidade mais
complexa, e não apenas cumprir a função de ser pano de fundo para as alterações
do relacionamento dos protagonistas)
Enfim, um filme que tinha tudo
para ser monstruoso, com reputação de obra de alto nível, mas que se revelou,
na minha opinião, apenas uma obra comum.
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