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Robocop - O policial do futuro


Nota: 5
Ano: 1987
Ator 1: Peter Weller
Ator 2: Ronny Cox
Diretor: Paul Verhoeven
Oscar: Indicado para três, levou uma estatueta.
Se enquadra nas seguintes categorias: Sessão da tarde; o principal é imbatível; o mundo é uma merda; Vendetta; Policial; Ação sem fôlego.
Comentário: Robocop é um filme feito no final dos anos 80, mas, na minha opinião, é o símbolo dos filmes de maior sucesso desta década. Em regra, os filmes dos anos 80 possuem efeitos especiais exagerados (um tiro de uma pistola que abre um rombo do tamanho de uma bazuca na pessoa), sérios erros de continuidade, roteiros forçados (sabe aquela cena em que todo mundo esta fugindo de um assassino em grupo, mas uma pessoa resolve, inexplicavelmente, ir sozinha para um lado para “verificar” algo sem qualquer valor e obviamente é assassinada? Típico anos 80), prioridade nas cenas de ação e subvalorização da construção dos personagens.  Ainda, em geral, são superestimados pelo público (normalmente as pessoas que converso se revoltam quando eu falo que determinado filme desta época é ruim). Obviamente existem diversas exceções, com filmes de ótima qualidade que marcaram época e devem ser para sempre ovacionados pelo público, como a trilogia de “De volta para o futuro” e cia.
O motivo da supervalorização é complexo, mas acredito que se deve ao fato de que a década de 80 foi o período em que os filmes estrangeiros passaram a ser transmitidos no Brasil com mais facilidade e frequência, de modo que foi a geração de crianças dos anos 80 a primeira geração a ser massificamente criada assistindo filmes em sua televisão (anteriormente a quantidade de filmes vistos por crianças era, para uma maioria, bem menor). Hoje, estas pessoas de 30 ou 40 e poucos anos idolatram as películas que rechearam seus imaginários, mas muitas vezes não lembram efetivamente da qualidade da obra.
É serio, assista hoje o filme “Robocop” e veja o quanto este filme está longe de possuir os requisitos para ser considerado um filme de ótima qualidade (isso que nem estou falando das continuações gravadas nos anos 90, que são ainda pior). Muitos saem em defesa do filme afirmando que este foi inovador, mas nem esse argumento me convence. Afinal, o modo de agir robótico do protagonista é derivado de diversas outras criações de homens-robôs anteriores (vide “O homem de seis bilhões de dólares”, do qual o Robocop é uma cópia descarada) e os “efeitos especiais impressionantes” já haviam sido utilizados em diversos filmes mais antigos com melhor qualidade e com mais verossimilhança (estamos falando do final dos anos 80).
Enfim, o roteiro conta a história de um policial (Peter Weller) que é ferido mortalmente por criminosos e tem seu corpo utilizado como experimento para criação de um policial-robô, única esperança para salvação de uma cidade que está beirando o caos, de tanta criminalidade.
O ponto alto do filme, que seria o conflito do protagonista entre sua programação robótica e seu resquício de sentimento humano, é até interessante, mas, convenhamos, poderia ser retratado de uma forma muito mais bem trabalhada, de modo a efetivamente emocionar o telespectador ( o que não acontece). O filme, portanto, fica na superficialidade.
Não fique se questionando (o que eu não consigo evitar) como um robô que anda em câmera lenta consegue alcançar um carro em alta velocidade durante uma perseguição, ou porque a polícia não fez outras máquinas semelhantes após o sucesso da criação da primeira. O filme só serve como um modo de reviver a infância, ou como instrumento de risos para um grupo de amigos desejoso de ver um filme que cause risos sem que tenha pretensão de ser engraçado.