(500) dias com ela
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Nota: 7
Ano: 2009
Ator 1: Joseph Gordon-Levitt
Ator 2: Zooey Deschanel
Diretor: Marc Webb
Oscar: Nenhuma indicação
Se enquadra nas seguintes categorias: Escapista;
Antropologia poética.
Comentário: O tema “amor” é
disparado o mais abordado pela poesia mundial, e, ainda, é o mais evidenciado
por todas as formas de arte que existem (provavelmente porque utilizamos a arte
para expressar os sentimentos que assombram nossas mentes, e nenhum deles é tão
marcante quanto o amor). Portanto, não é surpresa o fato de que todo ano, 30 ou
40% dos filmes lançados retratem romances, bem-sucedidos ou malsucedidos.
Aliás, não só estamos acostumados com esta constatação, como normalmente
desejamos que ela aconteça, já que desilusões e nirvanas amorosos acontecem
diariamente em nossas vidas, de modo que criamos identificações instantâneas
com os filmes que fazem poesia ou prosa com sentimentos e situações semelhantes
às nossas.
“(500) dias com ela” possui o
mérito de ser mais um filme sobre um casal que se apaixona, mas não ser
simplesmente mais um filme sobre um casal que se apaixona, isto é, a forma de
abordagem e as situações narradas distoam dos demais filmes, por se aproximar
um pouco mais da realidade. A história é semelhante a do filme “Closer”, pois
ambas visam dissecar o começo e o fim de um relacionamento de forma realista,
afastando o romantismo do telespectador. A diferença é que “Closer” retrata uma
série de fins drásticos sem envolvimento profundo com os protagonistas,
enquanto esta obra busca, de forma até parnasiana, retratar detalhadamente as
felicidades iniciais e os indícios do fim de um relacionamento.
A história é alinear, indo e
voltando nos 500 dias que o protagonista (Joseph Gordon-Levitt) foi apaixonado
por Summer (Zooey Deschanel). A poesia do nome “Summer” se perde com a tradução
para o português, mas, como muitos sabem, é a tradução da palavra “Verão”, uma
leve simbologia de que estas paixões que causam tanta alegria e dor são como
estações do ano, que acontecem para todos e, com o tempo, passam.
É impossível não se identificar
com os sentimentos do protagonista (quando teve seu amor não correspondido) ou
com os de Summer (quando não correspondeu ao amor de alguém). Afinal, é
inexplicável o fato de que um relacionamento que sempre causou alegrias e
naturalmente resultava em momentos mágicos e especiais possa se transformar em
uma relação tediosa, em que tudo que era único vira prosaico (a exibição
seguida de uma piada interna do casal sendo divertidíssima no começo da relação
e passando a ser completamente incoveniente no final embrulha o estômago de
todos, já que ninguém que se relacionou evitou uma situação semelhante). Por
este deterioramento natural ser incompreensível para a mente humana, costumamos
demorar dias, meses ou até anos, insistindo em um relacionamento que já acabou,
simplesmente pelo fato de que não temos motivos para ele ter acabado. Aliás,
inconscientemente, forçamos situações de conflito apenas para que consigamos
ter um motivo para separarmos de quem não mais gostamos, porque separar sem
motivos não é algo aceito pelo limitado cérebro de uma pessoa.
Por fim, destaco a atuação de
Joseph Gordon-Levitt que, antes mero ator mirim de seriados de comédia
americana, está se revelando uma grande promessa do cinema, e destaco a cena em
que o filme retrata um quadro comparativo entre as expectativas da pessoa que
tenta reviver um relacionamento acabado e os reais acontecimentos (obviamente
bem abaixo das expectativas) – Prova inequívoca de como é dolorido dar murro em
ponta de faca, mesmo que seja necessário para conseguirmos colocar um ponto
final na relação.
É, repetindo, um filme realista
sobre uma relação amorosa, mas que ganha destaque pela sua narrativa
diferenciada, pela sua fotografia extraordinária e por revelar situações
cotidianas de quem já viveu uma relação malsucedida, com um alcance maior e
mais verdadeiro do que o de outros filmes sobre o tema.
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