Número 23
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Nota: 6
Ano: 2007
Ator 1: Jim Carrey
Ator 2: Virginia Madsen
Diretor: Joel Schumacher
Oscar: Não concorreu.
Se enquadra nas seguintes categorias: O quêêê????; Suspense
psicológico; Manual de como virar um psicopata.
Comentário: Eu sou um cara meio
carente de filmes de boa qualidade no gênero Noir (aquele em que o protagonista fica fazendo um monólogo
deprimido e filosófico sobre a vida durante os acontecimentos, lotado de
sombras, em que o mocinho apanha do começo ao fim, desvenda o crime e faz todo
mundo feliz menos ele. Um exemplo Noir? Batman! Outro exemplo? Max Payne.
Outro? Não, chega!). Então, quando vejo uma obra com o maior jeitão Noir, com um elenco bacana e uma
produção razoável, não perco tempo e logo a assisto!
“Número 23” é uma ótima pedida
para o gênero! Na verdade, o filme começa sem muitas características de um
filme do “estilo Batman de
ser”, retratando apenas a vida de Walter Sparrow (Jim Carrey), que é feliz com
sua mulher (Virgínia Madsen) e filho, até que ele começa a ler um livro do
estilo Noir (\o/). A partir de então,
o filme começa a ter uma leve transição para o estilo sombrio e cativante do
detetive deprimido!
Isso porque o livro conta a
história de um policial que é perseguido por um número: o 23! A soma do seu
nome na numerologia dá 23, a data de seu nascimento dá 23, o número do sutiã da
mulher do vizinho menos a idade que o seu cachorro morreu dá 23, e por aí vai...
Parece bobo? Admito! Mas é incrível como, ao darmos atenção para um número
especial, este começa a aparecer na nossa vida nos momentos mais importantes
(os céticos dizem que é porque você só presta atenção neste número, mas todos
os outros ignorados aparecem com a mesma frequência).
Bom, eis que o personagem de Jim
Carrey começa a se identificar com a história, e começa a ver 23 em tudo quanto
é canto. Qual o problema disso? Se você concluir que o número que te persegue
dá sorte, nenhum; mas se você conclui que está amaldiçoado e o 2 ao lado do 3 é
o selo da sua desgraça, dê adeus a calmaria e seja bem vindo ao mundo da
paranóia!
Conforme a loucura vai crescendo,
o estilo noir vai tomando conta da
tela, com suas fotografias simbólicas e seus monólogos elogiáveis.
Jim Carrey não está mal no filme,
mas não aprovo a sua escolha para o papel. É fato que ele tem ótimo potencial
para filmes dramáticos (“Brilho eterno de uma mente sem lembrança” atesta), mas
também é fato que as suas atuações caricatas e forçadas como Lóide, o Máscara
ou Ace Ventura estão gravadas na mente das pessoas. Qual o motivo de escolher
como protagonista de um filme, que deve trazer um pouco de paranóia para o
público, um ator que é constantemente lembrado por suas atuações forçadas? É um
grande risco de tirar quem assiste do clima tenso e fazer todo mundo perceber
que ser perseguido por um número é uma enorme besteira.
Besteira ou não, é fato que temos
sempre identificações com números (sempre fui o 19 nos esportes e nas chamadas
de aula, enquanto minha namorada jura que vê 42 em todo canto. E você? Qual é
seu número?), de modo que não devemos rejeitar a possível paranóia que um
cérebro doentio pode gerar com estímulos constantes como palavras, cores, sons
ou números.
De qualquer forma, a história é
envolvente e bem amarrada, com uma fotografia de ótima qualidade e uma trilha
sonora que prenderá sua atenção nas próximas duas horas. Quem curte lances
paranóicos ou um thriller passatempo
tem uma ótima pedida, mas não é um filme imperdível para o público em geral.
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