Luzes da ribalta
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Nota: 6
Ano: 1952
Ator 1: Charles Chaplin
Ator 2: Claire Bloom
Diretor: Charles Chaplin
Oscar: Ganhou um oscar 20 anos
depois de sua produção, em 1972
Se enquadra nas seguintes
categorias: O mundo é uma merda; Relacionado à história; Alternativo;
Antropologia poética.
Comentário: Charles Chaplin tem,
neste filme, a conduta mais corajosa que já vi nos cinemas! Céus, como deve ter
sido difícil e doloroso para ele escrever e atuar neste filme! Para começo de
conversa, não se trata de outra das leves e geniais comédias que tornaram
Chaplin uma lenda. Trata-se, na verdade, de um drama provavelmente inspirado na
realidade. É o antepenúltimo filme de Chaplin e é a declaração do gênio de que
seu império chegou ao final (após isso ele apenas atua em mais um filme e faz
uma ponta em outra produção sua que tem Marlon Brando como protagonista).
“Luzes da Ribalta” conta a triste
história de Carleto (Charles Chaplin), um famosíssimo ator de filmes de comédia
da era do cinema mudo, que continuou fazendo sucesso no cinema falado e que tinha
como marca característica o uso de um bigodinho (notou alguma semelhança com a
vida real?). Todavia, embora existente o sucesso de outrora, as inovações
cinematográficas e a evolução da sociedade fizeram com que as pessoas não mais
se divertissem ou ao menos se interessassem pelas ingênuas e leves comédias que
lhe levaram à fama, de modo que este artista está com dificuldades até par
conseguir novas peças para atuar.
No desespero do fim de sua
carreira, e abandonado no esquecimento da sétima arte, o protagonista conhece
uma jovem bailarina incapaz de exercer novamente seu ofício por problemas
físicos (Claire Bloom), e dela se aproxima para juntos encararem a realidade:
dispostos a tentarem uma transformação para se adaptarem ao novo mundo e provarem
seu valor, ou para, pelo menos, se frustrarem sem que ainda tenham que carregar
o peso da solidão.
A produção é pobre, mas a atuação
vem da alma! Sendo um típico filme com aspecto de que foi produzido de forma
independente e sem qualquer perspectiva de sucesso (muito embora Chaplin
tivesse total condições de realizar uma produção mais rica e desenvolta na
época. Acredito que a opção dele era realmente de transparecer um final de
carreira, mesmo por trás dos bastidores).
Recentemente o tema foi também
ilustrado pelo vencedor do oscar de melhor filme “O artista”. Obviamente, este
novo filme possui diversos elementos como uma ótima produção, um roteiro
dinâmico e técnicas de roteiro e filmagem de cair o queixo; que o torna muito
melhor e mais prazeroso de se assistir do que “Luzes da ribalta”. Em verdade, em
vários momentos na obra aqui resenhada é possível que o telespectador se
entendie ou perca o envolvimento com o futuro dos personagens. Para ser
sincero, o pano de fundo do filme representa toda a valoração que deve ser dada
à obra. O filme, por si só, completamente abstraído da realidade de Chaplin,
não guarda grandes méritos.
Mas o filme de Chaplin possui um
valor inigualável, decorrente do fato de ter sido escrito e por ter como ator
principal o próprio símbolo da era em decadência retratada. Nada é mais
impressionante e admirável do que ver um astro em pleno auge conseguir
identificar seu declínio e, ao invés de espernear ou se perder, conseguir
direcionar seu final para fazer aquilo que sempre foi especialista: Arte!
A história nos ensina que muitos
reis e imperadores eram doutrinados a tirar suas próprias vidas quando
percebessem que cairiam em mãos inimigas, para que não sofressem a desonra de
morrer em mãos sujas. Charles Chaplin foi apenas mais um membro desta realeza!
Que despedida emocionante!
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