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Kill Bill - Volume 2



Nota: 7
Ano: 2004
Ator 1: Uma Thurman
Ator 2: David Carradine
Diretor: Quentin Tarantino
Oscar: Não concorreu
Se enquadra nas seguintes categorias: O principal é imbatível; Vale pela trilha-sonora; Desculpinhas para criar cenas de luta; Vendetta; Máfia; Manual de como virar um psicopata; Persevere que tudo vai dar certo.
Comentário: A continuação da vingança de Black Mamba (Uma Thurman) merece créditos por conseguir manter o alto nível do primeiro filme. Muitos falariam que a manutenção da qualidade seria óbvia, já que Tarantino escreveu o roteiro seguidamente e simplesmente dividiu a história em duas obras, tratando-se de situação completamente diferente daquelas em que um filmes faz sucesso e ganha uma continuação inventada posteriormente (e usualmente esta nova trama é forçada e cheia de buracos no roteiro).
Mas não é apenas pela ausência de erros de continuidade que este segundo filme mantém a sua qualidade: A primeira obra foi um marco do cinema, com a ousada tentativa de adaptar os filmes de kung-fu para o cinema hollywoodiano, recheada de lutas circenses e sangrentas com uma pequena história que simplesmente era uma justificativa para as cenas sanguinárias que se assistiam. Apesar de divertido e elogiável, o público não se satisfaria com uma continuação nos mesmos moldes (a ausência de motivos e a história com buracos seriam imperdoáveis a partir do momento que a história completa ultrapassasse 3 horas de duração) e, por isso, o filme precisava se inovar.
Para isso, Tarantino muda o tom do filme: Abandonando as lutas constantes com poucas explicações, para fazer um roteiro com muitas explicações e poucas lutas. O efeito é positivo. Finalmente o telespectador consegue ser cativado pelo sofrimento da protagonista e a torcer pelo seu sucesso na jornada narrada. Ainda, finalmente os personagens demonstram serem afetados por seus atos sanguinários do passado (me incomodava o fato de não existir reflexões no primeiro filme sobre o atentado contra Uma). Esta reflexão é feita de forma não sentimental, completamente adequada ao filme e às características dos personagens. Para isso, Bill (David Carradine) e Budd (Michael Madsen) são essenciais, pois são verdadeiro símbolo das consequências desta trajetória vingativa. Como diria Budd: “Nós merecemos a vingança dela”; antagonicamente ele próprio defende seus atos ao machucá-la e dizer “isto é por você ter magoado meu irmão”. Aliás, as constantes contradições nas atitudes tranquilas de Budd o tornam o meu personagem favorito da trama.
Uma Thurman continua ótima no papel, sendo que agora não lhe é exigido apenas atuar como uma guerreira que sente dor física, já que a dor emocional surge, e cenas com tais elementos sempre são mais complicadas de serem interpretadas. David Carrandine e cia também estão completamente adequados aos papéis, sendo que os antagonistas ganham uma relevância cênica muito maior nesta continuação. A fotografia possui altíssima qualidade, mesmo que um pouco abaixo da fotografia do primeiro. A trilha sonora continua genial, especialmente pelos novos elementos que complementam o filme anterior (o assobio da trilha sonora é a cereja do bolo).
Todavia, embora os méritos acima sejam evidentes, as necessárias modificações no tom do primeiro filme são também o motivo do segundo filme não atingir a mesma qualidade do primeiro (que eu dei nota 8). Afinal, o filme original é diferente de tudo já feito, impactante e lendário, enquanto este filme é uma ótima peça, imprescindível para quem viu Kill Bill 1, mas que separadamente não se sobressai perante outros filmes comuns de boa qualidade.