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A identidade Bourne


Nota: 6
Ano: 2002
Ator 1: Matt Damon
Ator 2: Franka Potente
Diretor: Doug Liman
Oscar: Não concorreu
Também se enquadra nas seguintes categorias: O principal é imbatível; Desculpinhas para criar cenas de luta; CIA; Ação sem fôlego.
Comentário: Esse é um filme que penso que tem sua qualidade diretamente afetada pelas continuações. Isto é, a trama é claramente direcionada para continuações que supostamente vão esclarecer tudo o que se passa. Imagino que, se os próximos filmes tivessem brilhantes, o primeiro seria melhor apreciado, já que a expectativa gerada seria atendida. Como nada é revelado satisfatoriamente, o mistério vira decepção e tudo parece um simples passatempo.
A história é baseada em um elogiadíssimo livro que eu não li, mas penso que os grandes méritos do livro não foram transferidos para a telinha: Muitos afirmam que o trunfo da história está no desenvolvimento psicológico do protagonista, que em meio a sentimentos de medo e ódio, vai lidando com as situações apresentadas (a parte psicológica é praticamente ignorada no filme); o livro não é feito para ter uma continuação, como o filme faz, então acho que não existem tantas pontas soltas no seu final; as memórias de Bourne na obra literária vão aparecendo homeopaticamente, com um bom grau de detalhes, enquanto no filme você fica no escuro o tempo todo (literalmente, até o fim).
Bom, o filme retrata a história de Jason Bourne (Matt Damon, em um papel frio e insosso, típico de filmes de ação que não exigem muito do ator), um homem encontrado sem suas memórias, mas que aos poucos vai institivamente demonstrando que é uma máquina de matar, com treinamento superior ao treinamento militar. Inesperadamente, ele passa a ser atacado por pessoas que possuem características de combate semelhantes a dele e, sem saber os motivos dessa confusão, ele entra no campo de batalha buscando sobreviver.
No meio do fuzuê, ele é obrigado a contar com a ajuda da azarada Marie (Franka Potente...a do “Corra Lola corra”), que é forçada a entrar na confusão mas depois decide ficar por opção. Conforme o tempo vai passando, o casal varia entre as opções de tentar ficar o mais longe possível da organização que moldou Bourne ou tentar destruir tudo pra impedir a organização aparentemente maléfica.
Sinceramente? A ação é legal, bem coordenada e não é tão forçada quanto “Missão Impossível” e cia. A fotografia sombria é sempre cativante e atrai qualquer pessoa que deseja um filme pipoca. Mas não entendo porque esse filme fez o sucesso que fez e guarda grandes elogios de muitos telespectadores. O roteiro é aquela eterna frustração de que nada se resolve. Você que já assistiu, reflita: o filme não é curto, tem exatas duas horas, e ele consegue falar sobre nada o tempo todo (já revelo que os próximos filmes também terão duas horas e também vão falar sobre nada!). Estas películas simplesmente criam um mistério e deixam o pau quebrar, criando um romance bem forçado no caminho (no livro a aproximação de Marie e Bourne deve vir de algo mais plausível do que “você me arrastou pra essa loucura, mas você é um cara legal e eu vou largar tudo por você, já que eu te amo!).
Enfim, quer ver cenas de tiroteio em um filme moderno? A escolha será certeira. Mas não consigo erguer este filme para o rol de melhores filmes de ação já vistos. É um mero passatempo, que vira perda de tempo para alguns.