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Zelig


Nota: 6
Ano: 1983
Ator 1: Woody Allen
Ator 2: Mia Farrow
Diretor: Woody Allen
Oscar: Concorreu a dois e não levou nenhum
Também se enquadra nas seguintes categorias: Mão na consciência; Humor britânico; Alternativo.
Comentário: Eu, apesar de me considerar um cinéfilo, sou muito defasado com relação aos filmes do Woody Allen. Dos seus mais de vinte filmes clássicos, só assisti dois (e recentemente), muito embora pretenda assistir outros mais nos próximos tempos. Portanto, provavelmente serei incapaz de detectar características típicas dos filmes de Allen ou compará-los em relação ao restante da obra deste diretor. Por outro lado, minhas impressões serão um pouco mais isentas do que as dos velhos admiradores de Allen, que costumam gostar de qualquer maluquice que ele produz.
“Zelig” é um dos filmes mais originais e diferentes que já vi, com uma proposta ousada e elogiável que deu certo: Fazer um documentário de ficção! Você se pergunta: “Como assim?” O filme é feito em formato de documentário, nos mesmos moldes de outros documentários que relatam a vida de um importante personagem da história mundial. Contudo, a pessoa que tem sua vida narrada no documentário não existe, sendo mera criação e interpretação do espirituoso Woody Allen. Não é só: As características e histórias do personagem são absurdas, e o tom de seriedade do documentário narrando tais peripécias inusitadas tornam o filme mais engraçado do que se espera.
De fato, Zelig (Woody Allen) é uma pessoa que possui o dom de se transformar nas pessoas que o rodeiam, isto é, ele adquire momentaneamente as características físicas e psicológicas das pessoas que com ele interagem. Assim, ao chegar perto de dois japoneses, Zelig fica com olhos puxados, ficando ao lado de dois russos, ele automaticamente passa a falar russo.
Tais características, parafraseando as propagandas da Rede Globo, fazem com que o protagonista se envolva em muitas confusões, ganhando fama nacional. No meio de toda esta comoção, uma psicanalista (Mia Farrow) tenta analisá-lo e curá-lo, pois conclui que tal façanha é uma doença que deve ser curada. O difícil é fazer isso com uma pessoa que, ao chegar perto dela, se torna um colega psicanalista!
Enfim, o filme possui, como pano de fundo, duras críticas ao nosso modo de vida atual. Zelig é apenas um produto da vida em sociedade atual, em que os diferentes e desprovidos do sucesso esperado são menosprezados e reprovados pela sociedade. Zelig adquire tais características pelo sofrimento e pelo medo de ser diferente daquele que com ele interage. Não poderíamos ter uma conduta diferente com o próximo? Além disso, o filme retrata a volubilidade da população, que em um momento idolatra o diferente que lhe provoca entretenimento, mas depois o execra por ter condutas diferentes da esperada pela sociedade.
A produção é simples, já que os moldes de documentário tornam desnecessária a existência de grandes cenários, figurantes e etc. A atuação também não é muito exigida, já que são poucas as falas durante o documentário. De qualquer forma, a atuação de Allen e Farrow é de uma qualidade elogiável, e as reações apatetadas de Allen possuem o tom perfeito para deixar o filme engraçado e nada enfadonho.
O filme não possui uma produção muito elaborada ou um roteiro tão dinâmico que permita que o filme torne-se um dos melhores da sua vida. Mas é, com toda certeza, diferente de tudo o que você já viu. É um “ridendo castigat mores” do século XXI, sendo sempre delicioso ver um filme que questiona falhas do sistema e ainda servem para te deixar de bom humor.