Sleepers – A vingança adormecida
Tweet
Nota: 8
Ano: 1996
Diretor: Barry Levinson
Ator 1: Jason Patric
Ator 2: Brad Pitt
Oscar: Recebeu uma indicação.
Também se enquadra nas seguintes categorias: O mundo é uma merda; Mão na consciência; Vendetta; Manual de como virar um psicopata; O objetivo é chocar.
Comentário: Sempre que alguém me pede pra recomendar um filme, Sleepers é sempre uma das primeiras opções. Afinal, com boas atuações, roteiro excelente e ótima produção, esta obra é um “tiro certo”, isto é, agradará 99% das pessoas que assistirem. E, por incrível que pareça, não foi assistido por muitos, de modo que é uma recomendação sempre pertinente. A história se dá em duas fases, a primeira mostra a infância de quatro crianças em um bairro pesado em meados dos anos 60, onde os homens do crime e um padre (Robert de Niro) disputam o destino da criançada. Por besteira, os quatro meninos vão para um reformatório que mudará a vida de todos (tô parecendo chamada da Globo para o Inter Cine). O filme dá um salto para a vida adulta destes jovens, mostrando as consequências individuais destes eventos. O filme, em franco tom de denúncia, torna-se interessantíssimo por destacar as grandes diferenças das reações humanas perante uma mesma desgraça. O trauma transformou alguns deles em bandidos e incentivou os estudos e a formação jurídica bem sucedida de outro. A fotografia do filme beira a genialidade e os diálogos são pesados, intensos, e louváveis. Se a atuação do protagonista (Patric) não possui nada de especial (se bem que eu até gosto das crises de fé dele), o restante do elenco (Brad Pitt, De Niro, Dustin Hoffman e, especialmente, Billy Crudup e Ron Eldard – esses dois últimos, atores medianos, surpreendem por garantir a verossimilhança da trama) faz com que o filme atinja um nível superior. Enfim, é um filme avassalador, triste, mas muito verdadeiro, já que possivelmente representa a história de muitos menores vítimas de um sistema que não está preparado para recuperá-los (como diria Gabriel Pensador: “Querem que eu seja educado, que eu ande arrumado, que eu saiba falar; Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá”). Por fim, o último encontro das quatro crianças é uma das minhas cenas preferidas de todos os tempos. A reunião de velhos amigos é sempre prazerosa (até mesmo para aqueles que apenas assistem o reencontro, sem fazer parte da turma), mas, no caso em espécie, a reunião de adultos tão diferentes por um passado em comum tão pesado se dar de forma feliz é ainda mais regozijante. Não bastasse o brilho desta cena, a sequência triste posterior é a prova da genialidade do diretor. Assistam! Mais de uma vez se possível.
Anterior
Próximo

