A rede social
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Nota: 6
Ano: 2010
Diretor: David Fincher
Ator 1: Jesse Eisenberg
Ator 2: Andrew Garfield
Oscar: Ganhou três oscars e concorreu a oito.
Comentário: A era da internet sempre nos surpreende pela rapidez. Se já estamos nos acostumando com a velocidade de informação na maioria dos campos, no cinema este filme tornou-se uma nova quebra de paradigma de velocidade. De fato, antigamente era necessário que se passasse um tempo razoável entre o acontecimento de algum fato e a sua descrição em um filme baseado nos acontecimentos verídicos (com exceção dos filmes propagandas feitos durante as guerras para promover um dos lados, que nada possuíam de verídicos). Este filme foi elaborado, projetado, produzido e filmado em tempo recorde, já que conta a história da criação do facebook e os processos judiciais referentes aos direitos autorais do maior fenômeno mundial do momento. Frise-se, o facebook foi criado em 2004 e os procedimentos judiciais acabaram apenas nos últimos anos. Além disso, é impressionante a honestidade dos criadores do facebook em autorizar o enredo que demonstra de forma clara os grandes defeitos que estes possuem. Afinal, o filme deixa claro que Zuckeberg é um grande gênio idiota e inseguro que não consegue se relacionar, o criador do Netscape é um aproveitador mal-caráter, o brasileiro que financiou tudo é um filhinho de mamãe (sabe que até acho ele gente boa?) e etc. Não deve ser nada fácil admitir tais falhas perante o mundo inteiro. Falando dos aspectos técnicos do filme, trata-se de um filme com velocidade de diálogos e alegorias impressionantes, adequado ao modo contemporâneo de fazer filmes que já descrevi quando falei do filme Juno. Resumindo, é um modelo em que as conversas se dão em uma velocidade tão grande que muitas vezes o diálogo parece falso e os mais velhos possuem dificuldade em acompanhar. Este modelo de cinema, entretanto, é super adequado para a presente história, já que os telespectadores que normalmente são atraídos pela obra são normalmente entusiastas da computação ou, pelo menos, usuário do facebook ou de outra rede social, de modo que a velocidade de informações não se revela um grande problema. É interessante também ver esta nova geração de atores; gosto da atuação do Tinberlake, acho, particularmente, que Eisenberg tem futuro, mas duvido que alguém que chama Garfield será levado a sério por muito tempo. A obra é bacana e contada de forma interessante e dinâmica, sustentada basicamente pelas tiradas geniais e extremamente babacas do protagonista. Deve-se, obviamente, parabenizar o gênio David Fincher por tornar o filme tão envolvente com a trilha sonora adequada, narração original e ótimas fotografias, mas, ao final, é sempre possível perceber que a trama resume-se a criação de um programa e o fim de uma amizade, sem um grande roteiro, uma grande filmagem ou algum conflito profundo que permita que o filme se destaque na história do cinema. Quando ouvi pessoas falando da obra como se fosse algo revolucionário, fiquei super empolgado e, ao final, apesar de ter gostado do que vi, não pude deixar de sentir uma leve decepção, esperando algo mais. Definitivamente não merece a atenção dada pelo oscar na edição de 2011. É um bom filme que será muito apreciado pela geração jovem da informática, mas que, uma semana depois de assistido, se torna um filme comum, que sequer deixa vontade de ser assistido de novo.
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