O quarto do filho
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Nota: 6
Ano: 2001
Diretor: Nanni Moretti
Ator 1: Nanni Moretti
Ator 2: Giuseppe Sanfelice
Oscar: Não recebeu indicação.
Também se enquadra nas seguintes categorias: Antropologia poética; alternativo.
Comentário: Existem diversos filmes que são eleitos como tramas que precisam ser vistos por integrantes de uma determinada profissão, os quais sempre terão uma análise diferenciada da obra perante os demais telespectadores. O filme “Juramento de Nuremberg”, por exemplo, possui um alcance sobre os estudantes de direito totalmente diferenciado das demais pessoas. “O quarto do filho” é frequentemente indicado para psicanalistas e demais seguidores de Freud. Esta peça italiana retrata uma típica família feliz que se vê desmoronada pela morte de seu filho. A história, apesar de forte, não deixa de ser comum em nosso cotidiano. Todos conhecemos alguém que teve a grande tristeza de perder um filho. Essa dor não é imaginável para pessoas que, como eu, ainda não procriaram, mas é eleita por pais e mães como a maior dor do mundo. A lógica natural do mundo faz com que pessoas mais novas sempre tenham a temida expectativa de perder seus entes queridos mais velhos, e a inversão desta ordem natural parece ser incompreensível para a mente humana, que usualmente se deteriora. Este filme tem o foco na reação destrutiva deste acontecimento perante o pai do falecido, um psicanalista acostumado a ouvir as angústias de terceiros. O passar do tempo e o sentimento de culpa e impotência pela perda (inexplicavelmente, muitos pais se culpam pela morte de seus filhos, como se tivessem o dever e o poder de evitar o acontecimento trágico) resultam na incapacitação do pai em exercer seu trabalho de psicanálise, ele perde a habilidade de ouvir. Teimosamente, ele insiste em não fazer tratamento psicológico, apesar de reconhecer sua debilidade, sendo forte demonstração da teoria de Freud de que o analista possui a maior resistência a se submeter a análise (assim como o médico é o último a querer ir a um hospital, o advogado evita ao máximo ingressar com demanda no judiciário e etc.). O nome do filme é, na minha opinião, genial. Nada é mais alegórico da dor sentida do que o quarto mantido eternamente pelos pais nos mesmos moldes que o filho deixou antes de morrer. Nas palavras sábias de Chico Buarque, “a saudade é o revés de um parto. A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu”. A atuação do protagonista (Nanni Moretti – que também é diretor desta obra e do filme recente “Habemus papam”) é contida e profunda, adequada aos moldes exigidos e digna de aplausos. A atuação dos demais é aceitável, não comprometem. Embora a mensagem seja ótima e o conteúdo também, o filme é beeeem parado, nada recomendável para quem não se interessa pelo tema. Ainda, a estrutura do filme é contida, isto é, não visa dramatizar demais o fato ocorrido (que, por si só, já é bem dramático). Embora esta contenção torne o filme mais sóbrio, acredito que diminui demais o potencial do roteiro do filme, que poderia ser uma obra genial, mas não o é, tornando-se apenas, um bom filme, recomendável a todos.
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