Beleza Americana
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Ano: 1999
Ator 1: Kevin Spacey
Ano: 1999
Ator 1: Kevin Spacey
Ator 2: Annette Bening
Diretor: Sam Mendes
Oscar: Concorreu a 8 estatuetas e levou 5!
Também se enquadra nas seguintes categorias: O mundo é uma merda, Traição conjugal, Frases de efeito, Escapista.
Comentário: “Beleza americana” é talvez um dos filmes mais difíceis de ser resenhado. Por seu conteúdo denso, suas múltiplas alegorias e ironias ácidas constantes, o filme gera sentimentos antagônicos nas pessoas, que amam e odeiam o filme simultaneamente (sendo evidente que algumas pessoas filtram o ódio e apreciam a obra, enquanto outras simplesmente acham intragáveis as alegorias malucas da trama e detestam a peça).
O filme é uma grande crítica ao estilo americano de vida, retratando que uma família americana a qual tenha todos os valores externos positivos impostos pela sociedade (bom emprego, boa casa, boa família, bom casamento, boa aparência, etc.), com um olhar mais aprofundado, está, na verdade, infectada por valores podres e moribundos.
Como ser feliz em uma sociedade que impõe para seu sucesso social e amoroso que você esteja o mais perto possível do padrão de beleza moderno? Imponha-se uma plástica ou uma indesejada série de exercícios atrofiantes! Como ser feliz se, para alcançar tudo aquilo que é exigido pelo padrão de sucesso moderno, você é obrigado a fazer apenas coisas não prazerosas durante sua rotina? Sonhe com aventuras que você nunca terá acesso; até aventuras eróticas, se necessário. Como ser aceita pela sociedade se suas conquistas estão além das expectativas sociais? Sonhe com outra realidade e minta para todos!
Enfim, a sociedade realmente faz com que o sonho americano impere na mente de todos. Todavia o filme revela que este sonho é podre, e deveria ser evitado. O filme até corajosamente sugere de forma tênue que a verdadeira felicidade está no ato de descumprir todas as regras impostas pela sociedade, inclusive com a realização de crimes e de desrespeito constante ao interesse do próximo (a pessoa mais feliz do filme é um traficante de drogas).
É claro que toda a visão do filme é deturpada no sentido de fazer a tese do roteirista parecer correta, de modo que a conclusão não é absoluta e está longe de corresponder à realidade. Mas a provocação é válida, e é muito instigante.
A fotografia marcante do filme é erotizada e repleta de cores normalmente ligadas à felicidade (genial, porque a ironia é justamente que as imagens deveriam transmitir tristeza e repulsa ao telespectador).
A narração pelo defunto-protagonista (Kevin Spacey) evidencia que não só a ironia é um ponto comum entre o presente filme e a obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis.
A atuação é o elemento essencial que garante o sucesso da obra. O filme é polêmico e o tom dado pelos atores seria imprescindível para que ele não ultrapassasse o limite do bom gosto. Assim, não consigo pensar em muitos atores que conseguiriam garantir a fina ironia do filme da mesma forma que Kevin Spacey faz (penso que apenas Jack Nicholson estaria também à altura do personagem). Annette Bening é fundamental para garantir o aspecto “plasticamente correto, mas internamente bizarro” que a obra tanto almeja transmitir. Os demais atores estão brilhantemente ajustados aos seus respectivos perfis de pessoas desajustadas.
O filme é uma intensa provocação, de modo que os elementos que geram êxtase cinematográfico em alguns momentos, que garantiriam uma nota 9 à obra, são os mesmo elementos que aborrecem e fazem o filme ser intragável, quase garantindo-lhe uma nota 5. Na média, o filme possui nota 7, isto é, possui os níveis de qualidade e carisma necessários para ser admitido como um bom filme, mas não deve sobreviver na memória de muitos como um de seus filmes favoritos. A melhor crítica nem sempre é a melhor obra.
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