Exibir Cartazes

Os imperdoáveis




Nota: 7

Ano: 1992
Diretor: Clint Eastwood
Ator 1: Clint Eastwood
Ator 2: Morgan Freeman
Oscar: Recebeu nove indicações e ganhou quatro.
Também se enquadra nas seguintes categorias: O mundo é uma merda; Frases de efeito; Escapista; Vendetta; Faroeste.
Comentário: Clint é conhecido por todos pelo seu imenso histórico cinematográfico no mundo do faroeste. Vê-lo como principal neste filme, portanto, não configura nenhuma novidade. Ele também foi diretor da obra em questão, o que também não é nada fora do convencional. A grande diferença é que este filme pega tudo o que já foi feito sobre faroeste (com grande contribuição do Clint) e desconstrói minuciosamente, fazendo uma releitura muito interessante sobre a vida dos pistoleiros. Acredite, uma desconstrução de algo mundialmente convencionado é sempre interessante, mas quando esta desconstrução é feita por um dos principais agentes que participaram da construção original tudo fica muito mais divertido! No caso, a trama visa rever todo o mito que se constrói sobre os caubóis. Aquele negócio de “Ele é mais rápido que uma bala”, “Sobreviveu a um ataque de 100 caubóis”, “O gatilho mais rápido do velho-oeste” é totalmente desmascarado pelos protagonistas que, dotados desta fama, evidenciam que são simples pessoas comuns (que se borram de medo de morrer, são egoístas, nem tanto impiedosos assim, talvez preguiçosos ou ainda pior) e a maioria de seus milagres foram feitos ou por acidente ou porque aqueles que trocaram tiros contra eles estavam tão mais nervosos que eles que sequer conseguiram atirar em linha reta para atingir um alvo que estava a cinco palmos de distância. Este filme taxa todos os contos de faroeste vividos anteriormente de românticos, e se revela um verdadeiro realista. E não é que a trama fica bem trabalhada com esta humanização? Mesmo com todo esse choque para os amantes do gênero, o filme ainda é uma ótima peça do velho-oeste e, como bônus, consegue atrair pessoas que normalmente não gostariam desse estilo de filme. A “ação” se passa muito mais no desenvolvimento psicológico das pessoas do que na troca de tiros de verdade. No fim, você ainda é gratificado com o testemunho de mais um dos “milagres” de uma lenda do velho-oeste, com o filme deixando a “opção” para você concluir se realmente foi um milagre de um cara sinistro daquela época ou apenas um cara normal sobrevivendo entre incompetentes. A fotografia é muito bacana, valendo cenas memoráveis, a trilha sonora não compromete e a utilização de Morgan Freeman como narrador/ apoiador de Clint é sempre uma garantia de qualidade (aliás, é raro ter uma química tão boa como Freeman e Clint possuem). Não se olvide de que o filme conta com diversos outros atores renomados em atuações elogiáveis como Gene Hackman (sempre ótimo em sua representação) e Richard Harris (eterno Dumbledore). Como crítica, apenas visualizo que a trama podia ser mais envolvente, acrescida de mais altos e baixos para garantir um maior envolvimento do público. Os roteiros dirigidos por Clint são seguramente bons e competentes, mas são poucos que sobressaem e fazem o telespectador ficar espantado ou realmente afetado pelo que assistiu. De qualquer forma, é um dos filmes mais profundos sobre a época retratada, de forma que é recomendável para o que ama faroeste rever seus conceitos e para aquele que o detesta perder um pouco de seus preconceitos.