O grande ditador
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Nota: 6
Ano: 1940
Diretor: Charles Chaplin
Ator 1: Charles Chaplin
Ator 2: Paulette Goddard
Oscar: Concorreu a cinco oscars.
Também se enquadra nas seguintes categorias: O mundo é uma merda, Besteirol, Relacionado à história.
Comentário: Eu sempre me sinto meio injusto comentando sobre filmes do Chaplin, porque eu reconheço a qualidade de sua obra, vejo a genialidade de suas piadas e de sua denúncia social em forma de humor, entendo a importância e a qualidade de uma comédia feita em décadas atrás com tamanha precisão, mas não consigo dar notas muito altas para seus filmes. O motivo? Minhas notas são sempre baseadas no quanto eu me diverti vendo a peça; o quanto eu posso recomendar a obra com a certeza de que farei aquele que seguiu meu conselho ficar satisfeito com a minha recomendação. Por mais que todo mundo reconheça de cara a genialidade de Chaplin, é forçoso admitir que, na atualidade, os moldes dos filmes Chaplinianos e o formato antiquado dificilmente alcançariam os mais altos padrões de diversão que o cinema pode produzir. Mas não deixo de sentir que é uma injustiça com o trabalho apreciado e com tudo que Chaplin representa. Este filme é o meu favorito do artista na categoria de comédia (já que o meu favorito dele é “Luzes da Ribalta” que, para surpresa de todos, é um filme muito triste, nada engraçado). Embora “tempos modernos” seja mais engraçado, este filme possui a temática da segunda guerra, que muito me cativa, e ainda é dotado de uma profundidade impressionante. É também o primeiro filme com áudio do ator. A história, filmada durante o auge da segunda guerra mundial, tem Charles em dois papéis: Como um barbeiro judeu e como o próprio Adolf Hitler que, por serem muito parecidos e confundidos pelas pessoas, fazem uma ligeira lembrança da clássica obra “O príncipe e o mendigo”. O filme é recheado das críticas pertinentes e clichês ao império nazista (mas, não se esqueça, o filme foi filmado em 1940 e, portanto, se hoje tais críticas são clichês, na época se tratava de verdadeira denúncia inovadora e formadora da opinião pública), sendo a cena mais marcante do filme o momento em que Hitler, feliz por ter a perspectiva de se tornar ditador do mundo, começa a brincar infantilmente com um globo gigante que representa o nosso planeta, fazendo alusão de que ele realmente estava brincando com o mundo. Ao mesmo tempo, o barbeiro retrata de forma bem humorada as perseguições que os judeus sofriam do governo alemão. A fotografia é de ótima qualidade (tanto que as imagens desse filme são merecedoras de quadros espalhados por todo mundo até os dias de hoje). Por fim, nada me agrada mais neste filme do que o discurso final que o barbeiro judeu faz para todo o povo alemão disfarçado de Hitler (não criticando o sistema nazista, mas fazendo uma crítica ainda atual sobre a falta de amor no mundo), do qual eu retiro o seguinte trecho: “Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido”. Enfim, não digo que será diversão garantida, mas assistir esta obra com certeza resultará em uma aula de cinema e lhe dará subsídios para você também ter a certeza do quão admirável foi o artista Charles Chaplin.
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