Os últimos passos de um homem
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Nota: 6
Ano: 1995
Diretor: Tim Robbins
Ator 1: Susan Sarandon
Ator 2: Sean Penn
Oscar: Indicado para quatro e vencedor de um.
Também se enquadra nas seguintes categorias: Mão na consciência; Escapista; Alegoria de religião; Antropologia poética.
Comentário: Quando se fala em um filme sobre o corredor da morte, todo mundo se lembra da obra “À espera de um milagre”. Todavia, um dos aspectos mais importante desta temática (espera pela execução) não é muito trabalhado no filme mais famoso supracitado: o sentimento de culpa do condenado. Por sua vez, o filme “Os últimos passos de um homem” se encarrega de descrever este sentimento com uma profundidade impressionante. Esta obra é narrada sob a perspectiva de uma freira (Susan Sarandon) que acompanhará os últimos dias de um homem condenado à morte (Sean Penn). Em primeiro momento, o filme parece ter enfoque no dilema interno da própria freira que, como religiosa, busca forças para conseguir ter compaixão de um estuprador (embora ela o repugne, sua vocação religiosa a impulsiona a ajudar e acompanhar o criminoso). Além disso, o filme dá destaque às reações do restante da sociedade, onde parcela da população recrimina a conduta da freira, acreditando que ela está “apoiando” um crime imperdoável e entendendo que o condenado deveria passar seus últimos dias sofrendo em solidão (aqui é possível observar uma pequena crítica do roteiro frente a esta incoerência, já que a religião católica justamente prega o perdão e o sentimento absoluto de compaixão). Entretanto, não é preciso muito esforço pra concluir que o grande trunfo deste filme está no aspecto interno do próprio condenado. Negação, revolta, irresignação, aceitação e todas as demais fases da culpa são brilhantemente representadas por Sean Penn (aliás, é impressionante a capacidade deste ator de se transformar de um filme para outro. Até a fisionomia dele muda de filme para filme. Assistam a esta obra, depois assistam “Milk” em que ele é um ativista homossexual e, logo após “Uma lição de amor”, onde ele é um deficiente mental. Por fim, assistam “Sobre meninos e lobos”. É impossível não concluir que este é o ator mais versátil de Hollywood). A atuação de Sarandon também é louvável, faz o papel de “jovem-sábia-e-ao-mesmo-tempo-ingênua” de forma convicente e adequada. Jack Black, o ator de comédias leves, faz uma interessante aparição em um filme dramático como este, surpreendendo a muitos. Agora, embora o roteiro seja bom, a atuação seja competente e a fotografia seja interessante, o filme é limitado justamente por não conseguir trabalhar outros sentimentos ao longo da trama. A culpa de Penn invade todo o filme, o clima pesado não dá folga. Enfim, o alcance da peça é limitado e, por ser muito negativo, não empolga ou satisfaz totalmente nenhum de seus telespectadores. É o típico filme considerado bom ou ótimo pela maioria, mas que 99% não toparia assistir nem 5 minutos desta obra novamente.
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