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A vida de David Gale



Nota: 9

Ano: 2003
Diretor: Alan Parker
Ator 1: Kevin Spacey
Ator 2: Kate Winslet
Oscar: Não foi indicado (blasfêmia!)
Também se enquadra nas seguintes categorias: O mundo é uma merda; O quêêê????; Escapista; Alternativo.
Comentário: Se você não assistiu a este filme, recomendo que você pare de ler este texto agora, pois a apreciação em assistí-lo é proporcionalmente diminuída com a expectativa adquirida por você anteriormente. Este é aquele tipo de filme que precisa ser visto mais de uma vez. Cada vez que tiver o prazer de vê-lo, você será capaz de observar uma nova nuance na atuação, um novo detalhe na expressão dos atores que você não tinha captado antes. Aliás, observe que Kevin Spacey (gênio) e Laura Linney (gênia subestimada) ficam quietos em muitas partes do filme; ao saber o final e assistir novamente a peça de forma mais aprofundada, é possível preencher todo este silêncio com monólogos que se passam na mente dos personagens durante esta trama impressionante (nunca observei isto em outro filme, acho demais!!) O roteiro pode ser classificado como integrante da categoria de “história-tese”, isto é, aquele tipo de filme em que é afirmado algo logo em seu início e o roteiro irá provar por A + B que aquela afirmação é correta ou, ao menos, aceitável. No caso, a trama gira em torno do fato de que o protagonista (Spacey) é o maior ativista que busca a extinção da pena de morte e, por ironia, foi condenado a morte por um crime que alega não ter cometido (o assassinato da segunda maior ativista). Além disso, este mesmo homem foi vítima de um golpe perpetrado por uma mulher que o acusou de estupro injustamente, mostrou indícios do ocorrido (já que tinha mesmo feito sexo com ele) e depois retirou a queixa. É o golpe mais genial que já vi! Não haverá produção de provas que comprovem a inocência do acusado pela desistência, mas toda a sociedade continuará acreditando que o crime foi cometido. Uma falha do sistema brilhantemente apontada pelo escritor. O roteiro é absurdamente bom, isto é um fato indiscutível; mas o que faz a obra galgar patamares lendários não se limita a este aspecto positivo. A atuação de Spacey e Linney superam qualquer expectativa (até tiram a atenção da atuação de Kate Winslet, que não é nada ruim). Mas o grande trunfo de um amante de cinema neste filme é, na minha opinião, a fotografia! Sinceramente assevero que este filme tem muitas das melhores fotografias já vistas; e sem uso de qualquer câmera inusitada ou tecnologia de ponta. A cena de Spacey em um balanço pendurado na árvore é épica. Aliás, a sequência de fotografias recheadas com uma trilha sonora envolvente, uma ambientação de respeito e a atuação já citada, torna o filme um buraco negro que suga a atenção de qualquer um que passar perto. Para aqueles que não assistiram mas continuaram lendo este meu texto, só digo para terem paciência, o filme é ótimo desde o começo, mas a sua genialidade só é revelada no último minuto da obra. Uma verdadeira obra-prima!