12 homens e uma sentença
Tweet
Nota: 7
Ano: 1957
Diretor: Sidney Lumet
Ator 1: Henry Fonda
Ator 2: E. G. Marshall
Oscar: Teve quadro indicações, sem nenhum prêmio
Também se enquadra nas seguintes categorias: Mão na consciência; Alternativo
Comentário: Pra ser sincero, os filmes sobre advogados e julgamentos sempre me incomodam um pouco. Talvez por ser formado em direito, e saber que a realidade não é aquela, eu acabe sendo um pouco mais chato com esse tipo de filme. O motivo: todas as obras retratam um julgamento como se fosse uma disputa de mágico, vendo qual advogado apresenta mais provas de dentro da cartola que sejam vitais para a vitória. Ora, em 99,9% dos processos nada disso acontece. O mérito de um advogado não está em bancar o detetive e sair descobrindo fatos obscuros que nem as partes sabiam que existiam, o mérito do advogado está em trazer sérias dúvidas sobre as provas apresentadas, buscando que o convencimento dos julgadores com base nas provas sejam a seu favor. Outra coisa: Não existe o negócio de “nunca perdi um caso”, por muitas vezes conseguir uma condenação justa para o seu cliente, sem um excesso de pena ou sem uma indenização vultuosa, já é uma grande vitória. Esse tipo de filme, portanto, acaba iludindo as pessoas sobre como funciona o judiciário e a função dos advogados, deixando a realidade dos tribunais muito insatisfatória para todos aqueles que acabam um dia se envolvendo em um processo, pois esperam que seus advogados sejam todos iguais o Keanu Reeves no filme “advogado do diabo”.
Bom, passado meu desabafo, vamos ao presente filme. Este filme, apesar de seguir a linha acima criticada, de que todo caso tem o seu segredo obscuro não revelado, mostra isso de forma bem mais sútil e não transforma o advogado em super-herói, de modo que tudo se torna mais aprazível. Ademais, o filme é de 1957, sendo o primeiro que assume tal conduta, meu problema é com as centenas de filmes que vem depois e o copiam. De qualquer forma, o mais interessante da peça (pois é originalmente uma peça de teatro) não é o processo em si, mas observar como o ser humano é incapaz de ser imparcial em um julgamento. Todos os membros do júri, às vezes disfarçando com indiferença ou com conclusões lógicas, julgam e decidem inicialmente com base exclusivamente em seus preconceitos, e a desconstrução gradual desta situação pela simples conversa entre pessoas diferentes é edificante. Mesmo o protagonista, que parece ser o mais razoável do local, inicia sua busca por inocência do réu pelo simples “sentimento” dele ser inocente, mas sem possuir qualquer razão lógica para tal. O procedimento do júri é fascinante, muitas vezes um circo, pois é mais um juízo de sentimento do que um julgamento racional. Os diálogos e atuações são dignos de aplausos, não apresentanto aquela atuação teatral e exagerada que me incomoda em alguns filmes da época. Obviamente, sendo um filme que se passa inteiramente em uma sala fechada, é um filme parado, não recomendado para os fãs exclusivos de filmes de ação sem fôlego (ou para advogados depois de um dia cheio de trabalho).
Anterior
Próximo

