Ensaio sobre a cegueira
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Ano: 2008
Diretor: Fernando Meirelles
Ator 1: Julianne Moore
Ator 2: Mark Ruffalo
Oscar: Nenhuma indicação.
Também se enquadra nas seguintes categorias: Mão na consciência; Traição conjugal; O objetivo é chocar.
Comentário: Filmaço pesadíssimo (como você pode ver, o superlativo impera neste filme). Baseado na obra de Saramago (um dos meus autores favoritos), a história descreve como ficaria o mundo se todos, de repente, ficassem cegos. O filme já seria interessantíssimo se parasse por aí, mas, no melhor padrão Saramago, o filme se infiltra nos sentimentos e emoções mais escondidos pelo ser humano. É impressionante como o Homem, maior símbolo da prosperidade e inteligência, se acovarda quando fica fragilizado em um mundo hostil. O filme, pra mim, é exatamente sobre isso: covardia, medo e vulnerabilidade. Embora o filme seja explicitamente tenso, as sutilezas são mais profundas ainda. No mundo apocalíptico dos cegos, o deficiente visual de outrora é o mais preparado para a sobrevivência, mendigos, prostitutas e ricos estão no mesmo patamar social e, acredite se quiser, ainda há o preconceito contra negros em um mundo sem cor. A interpretação é fantástica, especialmente do Danny Glover (que só é conhecido pelo bestinha “Máquina mortífera”), do ótimo Gael Garcia, e de Juliane Moore, que devia ter status de “atriz top 10”, mas é desconhecida pela maioria. Fato curioso é que a obra foi filmada em São Paulo; os olhos mais atentos identificarão a Paulista no começo do filme e o minhocão destroçado na parte final. Os efeitos são bons, a fotografia é perfeita, a trilha sonora (ou falta de trilha sonora) é ideal para este tipo de filme, enfim, uma rara obra. Destaco ainda, o clima que o diretor (Fernando Meirelles, nosso melhor) dá no fim do filme, que só consigo definir como oxigênio para um sufocado. Filme imperdível, assistam!
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