Gran Torino
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Nota: 7
Ano: 2008
Ator 1: Clint Eastwood
Ator 2: Ahney Her
Diretor: Clint Eastwood
Oscar:
Não concorreu
Se enquadra
nas seguintes categorias: Mão
na consciência; Escapista; Antropologia poética (nossa, não consegui encaixar
este filme em muitas categorias).
Comentário:
“Gran Torino” é aquele filme que sempre será uma boa recomendação para se dar
em uma mesa de bar entre amigos. Afinal, ele não é conhecido pelo público em
geral e só foi visto por aqueles que, sem opções definidas do que ver na
televisão, encontraram alguma informação sobre este filme e pensaram: “Os
filmes com direção e atuação do velho Clint são sempre divertidos; neste ele
aparece com sua velha cara de nervosão, com uma espingarda na mão e um carrão
atrás...ok, vamos lá!”.
E a
confiança em Eastwood novamente não falhou, o filme é de uma qualidade surpreendentemente
boa, fazendo com que as pessoas se perguntem o porquê dele não ser mais
conhecido. Ele ainda pode ser facilmente recomendável por ser um filme “coringa”,
isto é, ele agrada tanto quem gosta de violência como quem desgosta, pode ser
encarado como mais uma exaltação ao “american way of life” ou outra séria
crítica a este sistema. De um jeito ou de outro, é uma bela história, com
garantia de que prenderá a atenção de seu público e emocionará os mais
sensíveis.
O
filme conta a história do veterano de guerra Walt Kowalski (Clint Eastwood), um
veterano da guerra da Coréia (ou do Vietnã? Ou da segunda guerra? Não me lembro!
O importante é saber que ele enfrentou orientais em um campo de batalha), que
guarda grande rancor dos “japas” que mataram seus companheiros. Para seu azar,
todos seus amigos morreram ou se mudaram de seu bairro, que agora está sendo
amplamente habitado por orientais (tipo a liberdade), especificamente o povo
Hwong. Então o protagonista passa os dias espalhando seu mau humor pela
vizinhança e reforçando que não é ele que deve se retirar, mas os japas é que
devem sair do “seu bairro”. Contudo, alguns incidentes envolvendo seu carro (um
Gran Torino, eis o nome da peça) faz com que ele passe a conviver com alguns de
seus vizinhos, quebrando pouco a pouco os preconceitos fossilizados tipicamente
americanos, e, ainda, que ele passe a ser visto como uma espécie de protetor
deste povo perante uma máfia oriental.
O
filme passa sua primeira parte em uma espécie de comédiazinha leve, mostrando a
rotina e a aproximação dos personagens, tudo muito divertido e capaz de atrair
o telespectador para a trama. Depois, a história passa a ter um tom mais sério
e, por fim, coincide o final com seu clímax, de forma a fazer com que o público
queira ver mais. É um roteiro redondo, amarrado e muito bem feito, que dificilmente
desagradará quem o assista ou quebrará expectativas anteriores.
A
atuação de Clint é a mesma de sempre: Um velho carrancudo que é tão chato e
ranhento que é impossível não gostar dele. Ahney Her, que interpreta uma das
vizinhas de Clint, é uma grata surpresa e poderia ter mais chances no cinema
Hollywoodiano. A fotografia é excepcionalmente boa para um filme desconhecido
(aliás, como este filme pode ser desconhecido? Não consigo entender o motivo
dele não galgar outros patamares...será que o simples fato de não ter sido
indicado ao Oscar justifica?). A trilha sonora não compromete e a produção não
necessitou de muitos desafios. É, repetindo, um filme com execução cirúrgica,
sem a pretensão de se tornar o maior clássico dos cinemas.
Trata-se,
assim, de um ótimo passatempo, um filme-pipoca com algum conteúdo e certa
reflexão, mas que será esquecido pela maioria das pessoas uma semana depois de
ser assistido, voltando à tona apenas quando for pedida uma recomendação em uma
mesa de bar. Geralmente, estes “filmes descartáveis” ganham uma nota 6 pelos
meus critérios, mas este foi tão bem feito e é tão gostoso de se assistir, que
mereceu galgar a sua nota 7, assistam!
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