Forrest Gump - O contador de histórias
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Nota: 9
Ano: 1994
Ator 1: Tom Hanks
Ator 2: Robin Wright
Diretor: Robert Zemeckis
Oscar: Concorreu a 13 oscar,
ganhou 6 e merecia ter ganhado mais.
Também se enquadra nas seguintes
categorias: Romance com piadinhas; Frases de efeito; Escapista; Persevere que
tudo vai dar certo; Antropologia poética.
Comentário: Forrest Gump é a
maior unanimidade do cinema, e provavelmente o filme mais completo.
O filme é uma unanimidade porque
todo mundo adora o roteiro, qualquer um admira a atuação de Tom Hanks e ninguém
enxerga o filme como apenas uma obra ordinária; e é completo por possuir a
capacidade única de ser um filme de quase todos os gêneros. É raro o público
receber positivamente um filme que inicialmente é um drama, se torna uma
comédia romântica, vira um filme de guerra, se transforma em uma comédia
besteirol e depois retorna ao drama. Isso porque a transição é feita de forma magnífica,
sequer exigindo paciência de quem assiste (você já pensou que durante um filme
tão profundo você veria Tom Hanks fingir que criou o símbolo “Smile” quando
limpava o rosto sujo de lama em uma toalha e não perderia a paciência? É
extraordinário!). Enfim, tal feito pode ser representado como uma montanha
russa que não dá frio na barriga durante seus loopings; algo tão raro e
prazeroso que dificilmente se repetirá em outra obra cinematográfica.
Na verdade, o adjetivo “especial”
é o mais adequado para definir a película em exame. O protagonista, que possui
muita semelhança com o personagem de Peter Sellers em “Muito além do jardim”, é
o cativante protótipo do deficiente mental sábio, isto é, aquele ser especial
que é mentalmente incapaz de assimilar as conclusões mais simples, mas é o
único capaz de compreender e ensinar as lições existenciais mais importantes.
Na verdade, este tipo de deficiente representa o melhor dos filósofos, por ter
o dom de conseguir questionar os fatos mais simples da conduta humana sem o
medo da reprovação da sociedade em que convive.
Portanto, o roteiro narra a
história da vida deste homem deficiente que, por meio de muitas provações e
acompanhado apenas de seu raciocínio ingênuo e puro, consegue realizar os
maiores feitos ambicionados pelo homem (se torna rico, respeitado,
bem-sucedido, herói de seu país, famoso, amado, pai de família, e etc.). Embora
os feitos sejam notórios, constantemente Forrest surpreende o público pelo
desprezo ao extraordinário e pelo amor às coisas simples. Não há como não se
apaixonar por um herói de guerra que se impressiona mais com o voo de uma pena
do que com o sucesso estrondoso de sua empresa.
Tom Hanks é um monstro na
atuação, todos sabem, mas nenhuma de suas premiadas atuações anteriores e
posteriores chegarão à metade do eterno Forrest Gump. O restante do elenco (que
também é digno de elogios) praticamente desaparece ante o brilho de Tom.
A fotografia é simples e bonita,
como o interior do protagonista, e não há nada da produção, do roteiro ou da
direção que seja digno de críticas (alguns dirão que o filme poderia manter a
seriedade durante todo o tempo. Mas... sério mesmo? Isso estragaria toda a
magia do resultado final!).
Este é um filme para ser apreciado
e reapreciado. Cada vez que assistimos novamente, as lições e reflexões são
absorvidas de outra forma. Como diria Heráclito, somos um rio e cada vez que o
filme se encontrar com nosso leito, ele produzirá efeitos diferentes em nosso
curso. Está entre as melhores obras cinematográficas de todos os tempos. Se não
for a melhor, é certamente a mais bonita!
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