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O poderoso chefão



Nota: 9
Ano: 1972
Ator 1: Al Pacino
Ator 2: Marlon Brando 
Diretor: Francis Ford Coppola
Oscar: Concorreu a XI estatuetas e levou 3.
Também se enquadra nas seguintes categorias: O mundo é uma merda; Vale pela trilha sonora; Relacionado à história; Frases de efeito; Vendetta.
Comentário: O filme eleito por muitos como o melhor de todos os tempos. Esta obra-prima tem uma legião de seguidores apaixonados que ficam indignados quando encontram um ou dois “pecadores” que dizem não ter gostado do filme, normalmente por achar muito parado. Por ser um desses apaixonados pela obra (mas não condeno quem não gosta), dou algumas dicas para estes polêmicos dissidentes: O poderoso chefão não deve ser visto em qualquer dia, necessitando de uma espécie de CNTP para conseguir transmitir toda a genialidade de sua mensagem para o telespectador (basicamente consistindo em um dia que você não está com sono, esteja aberto a filosofar sobre cada conduta do ser humano, esteja disposto a apreciar cada ruga de interpretação dos atores e, principalmente, não esteja com a expectativa de ver um filme de ação, pois tal conduta resultará em forte decepção). A trama é baseada no livro de Mario Puzo chamado “O Chefão”. Na verdade a obra literária corresponde a toda história do primeiro filme e à metade de “O poderoso chefão II” (apenas a parte histórica com Robert De Niro). A outra metade do segundo filme e o filme final da trilogia não estão contidos no livro (a obra escrita ainda possui alguns capítulos que não foram retratados no cinema, referindo-se a história de personagens secundários do filme: O cantor apadrinhado por Marlon Brando e a madrinha do casamento do início do filme). O roteiro deste primeiro filme conta os últimos dias do glorioso império mafioso de Don Vito Corleone (Marlon Brando), admirado gângster conhecido por seu senso de justiça e rigidez perante aqueles que buscam a sua ajuda, fazendo com que aqueles que fecham as portas para seus protegidos recebam “propostas irrecusáveis” (coação pura e violenta). Também conta a história de seu filho, Michael Corleone (Al Pacino), que não deseja a vida de crimes para si e busca fugir da sombra mafiosa de seu genitor. Em um primeiro momento, pode parecer ao telespectador que o filme é uma ode ao mundo do crime. Todavia, olhares profundos irão revelar a grande genialidade cativante do filme: Não se vangloria o crime, o que se vangloria é a conduta daqueles que aqui fazem o papel de mafioso. Como devemos nos portar perante as injustiças do mundo? (isso fica mais claro no segundo filme) Qual comportamento se deve assumir perante a sociedade para proteger nossa família? (isso fica mais evidente no primeiro) Como ser leal a quem merece e justo com quem não merece? Como ser justo quando somos detentores de poder, força e capacidade para impormos nossa vontade? O filme é uma grande lição sobre os limites de um cidadão, as linhas que não devemos cruzar para satisfazer nosso instinto de proteção, nossa ganância ou até mesmo nosso amor. Cada pessoal que assiste a este filme deverá obter suas próprias conclusões. Quanto às minhas, só posso dizer que discordo da grande maioria dos limites ultrapassados pelos protagonistas, há formas de se conseguir o que quer na sociedade sem a agressividade e a criminalidade evidenciada. Mas, devo admitir que a hombridade de Michael na proteção de sua família, quando abandona seus princípios de honestidade para liderar o grupo mafioso, instintivamente causa uma admiração passional imediata (e uma provável decepção racional posterior). Com atuações lendárias (o melhor papel de Marlon Brando e uma das mais brilhantes atuações de Al Pacino); com a trilha sonora mais marcante de uma geração; e com o impacto de seu roteiro simples, mas que deixa aqueles que pensam tudo “preto no branco” com a mente cinza; “O poderoso chefão” é a definição viva de um clássico.