O clube do imperador
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Nota: 7
Ano: 2002
Diretor: Michael Hoffman
Ator 1: Kevin Kline
Ator 2: Emile Hirsch
Oscar: Sem indicações
Também se enquadra nas seguintes categorias: Alternativo; Antropologia poética.
Comentário: Sabe aquele clássico tipo de filme que retrata um professor entrando em uma sala de aula e que, com um novo estilo de aula inusitado e cativante, transforma seus alunos, fazendo com que todos passem por uma experiência de vida especial? Pois é, trata-se de uma fórmula do cinema que faz sucesso (e possui exemplares clássicos como “Sociedade dos poetas mortos”; “Ao mestre com carinho”; e etc.) e cujo estilo eu adoro. Pois bem, “Clube do imperador” é um filme que, aparentemente, se encaixa neste perfil com perfeição. Por ser completamente desconhecido e por possuir um elenco de atores sem grande fama, minha expectativa era assistir um filme bem água-com-açucar que não fugiria da conclusão clássica dos filmes desta mesma categoria. Acertei quanto à primeira parte, já que o filme é, de fato, feito de água adocicada (mas, convenhamos, existem momentos que nada é melhor que um filme açucarado). Todavia, a fórmula clássica adotada é ligeiramente alterada ao longo da obra, de forma que, surpreendentemente, o filme, ao chegar em seu final, fornece uma reflexão ao telespectador que não era esperada por ninguém, mas é calorosamente bem-vinda. Em verdade, a obra retrata que, muito embora o esforço de um professor para provocar seus alunos a pensarem, iluminando suas perspectivas, seja algo louvável e resulte em frutos para toda uma vida, tal prática não necessariamente protegerá seus alunos dos vícios de conduta que nossa sociedade constantemente oferece, e que muitas vezes produzem benefícios ao praticante da conduta viciada. De fato, muitos dos filmes sobre educadores namoram a idéia de que a conduta do professor perante um aluno problemático, por si só, é capaz de alterar todo um ciclo vicioso e levar o aluno a ser uma pessoa melhor. Mas isso está longe da verdade; embora o mestre possa ser um guia, o caminho está muito mais limitado e traçado pela criação familiar do jovem e, principalmente, as características e personalidade da própria criança, a qual poderá, mesmo diante de tanto incentivo para o bem, decidir que o caminho escolhido não será o da virtude. E isso diminui o valor do professor? Seu trabalho foi um fracasso? De maneira nenhuma! O mérito de um professor não está contido apenas no resultado, o caminho oferecido e as oportunidades de construção de caráter apresentadas são dignas de aplauso e devem ser apreciadas independentemente da resistência oferecida por alguns de seus alunos. A interpretação não é ponto forte do filme (embora Kevin Kline faça um ótimo trabalho), a fotografia é simples e pobre, mas o roteiro é bacana e a diversão é garantida. Ps. O concurso “Júlio César” retratado no filme é demais!! Como amante da história grega, queria ter tido a oportunidade de participar de um.
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