Amnésia
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Nota: 7
Ano: 2000
Diretor: Christopher Nolan
Ator 1: Guy Pearce
Ator 2: Carrie-Anne Moss
Oscar: Indicado para dois prêmios, sem levar nenhum.
Também se enquadra nas seguintes categorias: O mundo é uma merda; O quêêê???; Frases de efeito; Escapista; Alternativo; Vendetta; Manual de como virar um psicopata; Policial.
Comentário: Inovar no cinema não é tarefa fácil. Muitos anos de acervo criativo fizeram com que as maiores mudanças da atualidade se encontrem no campo da tecnologia, com o aumento de dimensões da obra (viva o 3d! Em breve filme em 4 dimensões!), da verossimilhança dos efeitos especiais ou da substituição de atores por animações. Amnésia é uma inovação que não se enquadra neste padrão. A tentativa desafiadora é simples de ser explicada: Fazer um filme de trás pra frente, isto é, começando no fim e terminando no começo. Só fazer ele ser compreensível já é difícil; fazer o roteiro ser bom, ainda, é quase impossível. Mas não é que conseguiram?? É claro que o filme não é literalmente de trás pra frente, isso é uma propaganda apenas para chamar a atenção do telespectador. O que o diretor e o roteirista armaram foi o seguinte: O primeiro capítulo do filme é o último na ordem cronológica; o segundo é o penúltimo, terminando onde começaria o primeiro; o terceiro é o antepenúltimo e termina onde começa o segundo e por aí vai. O filme até ousa fazer uma surpresinha no último capítulo (começo cronológico do filme). No meio destes capítulos em cronologia inversa existe um monólogo do protagonista (diferencia-se das cenas que estão em ordem inversa por estar em preto e branco), no qual ele explica “as regras do jogo”, isto é, como a sua doença (parte central da trama) funciona. Aliás, atualmente é fácil explicar a doença dele: ele tem a mesma falha de memória da Dory de “Procurando Nemo”, isso é, ele só consegue lembrar os acontecimentos dos últimos minutos, esquecendo tudo o que se passou entre a data do acidente que o deixou assim e os últimos minutos que ele está vivendo. Portanto, cada capítulo do filme corresponde a um interregno de memória do protagonista. É nesse ponto da explicação que eu percebia uma grande falha do filme! Eu pensava: “Uai! Cada vez que ele tem um lapso de memória ele devia parar tudo até entender que ele sofreu um acidente, que ele não tem memória e etc. e tal... mas no filme ele faz todo esse silogismo em segundos, por vezes milésimos de segundos, como pode?” Mas não é que assistindo pela terceira vez eu entendi?!! O próprio filme explica que a vítima desta doença acaba aprendendo por condicionamento, de modo que, com o tempo, ele consegue associar intuitivamente sua condição e o seu modus operandi (é mesma lógica de quando um animal associa o cheiro à comida, o som da campainha com alguém esperando na porta e outros condicionamentos oriundos da experiência, e não da memória). É claro que o filme explica melhor do que eu, mas juro que é plausível (você vai até pensar: “Pô, não precisava assistir três vezes pra entender isso!”... Eu sei, eu sei... tive vergonha quando me toquei). Bom, a trama é consistente, plausível e, mais louvável ainda, é intrigante, interessante e surpreendente. É claro que o roteiro não é tão elaborado como um filme normal, já que a história é limitada pela forma que é contada (na verdade, se você assistisse o filme na cronologia normal o filme seria bem bobinho), mas a união da forma com o conteúdo dá samba! A fotografia e a trilha sonora são outros aspectos positivos do filme, pois acompanham o aspecto nada convencional da obra. A atuação não é o ponto forte, mas Guy Pearce consegue passar a imagem de cego em tiroteio e Carrie-Anne Moss faz o papel que lhe cabe, de mulher de princípios maleáveis e duvidosos (não engulo o quanto ela está santinha em Matrix! Não combina!); isso sem falar no quanto Joe Pantoliano está irritante (e como esse era o objetivo, ponto pra ele). Enfim, uma obra original, desafiadora e divertida. Recomendável para uma noite sem opções em que se está sozinho, em casal, ou em dois ou três amigos, no máximo (assistir em muita gente, como já fiz, dificulta muito a compreensão do filme, tornando-o enfadonho).
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