Kramer vs. Kramer
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Ano: 1979
Diretor: Robert Benton
Ator 1: Dustin Hoffman
Ator 2: Meryl Streep
Oscar: Indicado para 9 oscars, ganhou 5.
Também se enquadra nas seguintes categorias: Mão na consciência; Persevere que tudo vai dar certo; Antropologia poética.
Comentário: É inegável os avanços que o mundo jurídico global obteve no tocante à proteção da mulher e do menor ao longo das últimas décadas. É inegável que muito há ainda para avançar neste sentido. Porém, como qualquer luta ideológica, diversos excessos para defesa dos interesses oprimidos acabaram gerando injustiças no sentido contrário. Este filme retrata um exemplo clássico desta situação. É fato que em uma separação de um casal com filhos muitas vezes não é possível que a custódia da criança permaneça com ambos os pais, e que, na hora da escolha, as mães, em sua ampla maioria, são a melhor opção para conviver diariamente com seus filhos. Mas, não deixa de ser verdade que muitos pais, vocacionados e apaixonados pela criação de seus filhos, foram, por vezes, afastados do convívio diário de seus pequenos pela presunção, no caso equivocada, de melhor preparo materno. Hoje, estas “injustiças” já são identificadas como decisões incorretas (ainda com certa relutância), mas, anteriormente, nas décadas de 70 e 80 (auge da consolidação e aceitação pública das mais que bem-vindas conquistas das décadas anteriores), afirmar que a preferência materna foi um erro em determinado caso era quase um pecado proibido de se falar em voz alta. O filme, feito em 1979, é uma elegante, brilhante e correta assertiva de que o caso concreto não poderia ser deixado de lado nas ações de guarda. E, ainda, dá a excelente lição ao jurista e ao leigo de que ninguém saberá com mais precisão as especificidades do caso e o que é melhor para a criança do que os próprios pais, e que, portanto, em face do tornado espinhoso que é a separação, os genitores deveriam suportar a dor e tornarem-se maduros suficientes para enxergar com clareza a melhor opção de custódia e guarda. As atuações dos monstros do cinema, Dustin Hoffman e Meryl Streep, não são teatrais ou memoráveis; são contidas, introspectivas e intensas, brilhantemente executadas como a receita pedia. A atuação aceitável da criança quase não é notada em face do brilhantismo dos pais. O enredo é direto, conciso e sem erros, uma excelente obra-de-arte que passa uma mensagem com perfeição. Um filme atual sobre uma das maiores angústias da vida humana (o afastamento do filho de seu pai ou mãe), recomendável para o amante do cinema e indispensável para o aplicador de direito de família.
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