Entrevista com o vampiro
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Nota: 6
Ano: 1994
Ator
1: Brad Pitt
Ator
2: Tom Cruise
Diretor:
Neil Jordan
Oscar:
Concorreu a 2 estatuetas e não ganhou nenhuma.
Se enquadra
nas seguintes categorias: O
mundo é uma merda; Escapista; Manual de como virar um psicopata; O quêêê????.
Comentário:
O filme é baseado no livro de Anne Rice de mesmo título, escrito nos anos 70 e
aplaudido por todos os seus leitores. Justamente por ser oriundo de uma obra
literária, acredito que fica palpável algumas limitações da película em relação
à obra original.
O
roteiro conta a história de Louis (Brad Pitt), um homem do século XVIII que é
mordido por um vampiro, de nome Lestat (Tom Cruise), e, tornando-se um novo
bebedor de sangue, passa a conviver com o mesmo. O filme conta, em um primeiro
momento, o drama de uma pessoa consciente tendo que se acostumar com sua nova
vida vampiresca (matar pessoas para sobreviver, odiar a luz e etc.) e,
posteriormente, passa a contar a dor de viver eternamente (imagina que você tem
um amigo por 100 anos, briga com ele por 200 e tem que conviver com ele por
mais uma eternidade...é mais ou menos isso). Durante esta literal imortalidade,
os dois vampiros ainda entram em contato com outros vampiros da sociedade, como
a menina Claudia (Kristen Dunst) e o “pimp” Armand (Antonio Banderas).
É
interessante a visão “eterna” trazida pelo filme, que possui efeitos,
fotografias e maquiagem de ótima qualidade, mas penso que o roteiro ficou um
pouco aquém em relação à obra literária. Primeiro pelo fato de a sensação de
tempo ser um pouco prejudicada, já que um filme de poucas horas não passa a
mesma sensação de um longo decurso de tempo como um livro pode fazer (e sendo
este o grande drama da história, tudo fica prejudicado); e segundo porque, na
tentativa de consertar o primeiro defeito, o sofrimento do protagonista é
extremamente exacerbado, com ele deixando de ser um homem comum para se tornar
alguém depressivo, sensível demais (Mais emo do que crepúsculo! Se esse filme
fosse feito hoje em dia ele seria considerado tão miguxo quanto a nova saga de
vampiros). No entanto, deve-se admitir que a obra é interessantíssima e consegue
prender a atenção do espectador por grande parte do tempo e ainda satisfazer a
grande maioria do seu público.
Há
ainda quem diga que a relação entre Louis e Lestat é um romance disfarçado, sendo
os dois condenados ao papel de eternos namorados que brigam e retornam a
relação ao longo de gerações (Isto não fica claro na obra, acho que é mais
imaginação de parcela do público do que qualquer outra coisa. Assim como fazem
com Timão e Pumba no “O rei leão”).
A
atuação de Tom Cruise neste filme está memorável! O frio e impiedoso Lestat não
poderia ser interpretado de melhor forma. Aliás, penso que Tom Cruise possui um
dom de atuação capaz de igualá-lo a muitos outros artistas endeusados por aí,
como Jack Nicholson, Anthony Hopkins e o próprio Brad Pitt, mas sua insistência
em fazer muitos filmes água-com-açucar lhe garantiram um “status” de artista
pop de escalão inferior (inferior a deus da arte, mas ainda ator de primeira
linha).
Brad
Pitt, na minha opinião, faz uma atuação adequada, mas está longe dos melhores
papéis por ele interpretado.
Kirsten,
ainda uma jovem de 13 anos na época, está muito bem em seu papel (aliás, ela
era uma atriz mirim de qualidade absurda, que não desabrochou totalmente quando
virou adulta), mas penso que sua escolha para o filme foi errada; isto porque a
sua personagem, Claudia, é na história original uma garota de 5 anos condenada
a ter eternamente um corpo de uma criança de 5 anos e seu sofrimento decorre do
fato de que ela, com mentalidade amadurecida, é condenada a viver eternamente
com as limitações de uma garotinha, que mal consegue correr, andar e ser
independente como um adulto normal. Como a atriz já está nos seus 13 anos, o
filme foi adaptado para esta idade e, convenhamos, tendo 13 anos o drama da
personagem diminui (embora ele ainda exista).
Por
fim, não consigo analisar muito a atuação de Bandeiras; embora afirmem que ele
está bem no papel, não consigo me desprender do fato de que, no filme (no livro
deve ser diferente), ele é completamente dispensável! O filme não é curto, e os
40 minutos em que Bandeiras aparece não há nada (literalmente nada) que seja
acrescido à história; na minha opinião quiseram acrescentar algo essencial do
roteiro original e não conseguiram; a presença de Bandeiras não altera o drama
vivido entre os personagens principais e não representa nada que diretamente
influencie nos destinos dos demais personagens. Se os 40 minutos do filme em
que ele aparece são dispensáveis, não vejo porque elogiar sua atuação.
A
obra, portanto,é muito interessante, trás uma boa produção e boas atuações, mas
não alcança o nível esperado por um elenco mostruoso e uma proposta
cinematográfia colossal. São horas de um bom filme, que não chega a um nível extraordinário
(repita-se, com exceção de Tom Cruise).
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