Rocky - Um lutador
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Ano: 1976
Ator 1: Sylvester Stallone
Ator 2: Talia Shire
Diretor: John G. Avildsen
Oscar: Concorreu a 10 estatuetas e levou 3.
Também se enquadra nas seguintes categorias: Sessão da tarde; Vale pela trilha sonora; Persevere que tudo vai dar certo.
Comentário: Este é um dos típicos filmes que não são apreciados por grande parte da população devido a suas continuações, de qualidade duvidosa (Rocky II ainda é ótimo, a coisa só degringola posteriormente). Sabe aquela imagem automática de que Rocky se trata de um filme sobre um fortão que apanha que nem um louco (levando mil socos); sobrevive, e ganha no final com um soco só? Então, o primeiro Rocky não mostra nada disso! Este filme, surpreendentemente profundo, conta uma interessante história de um pugilista fracassado (Sylvester Stallone) que nunca fez sucesso e que ganha sua vida sendo testa de ferro de mafiosos. Por um acaso do destino, tal pugilista tem a oportunidade de realizar seu sonho: O campeão dos pesos-pesados Apollo (Carl Weathers) tem sua próxima luta cancelada pela lesão de seu oponente e a substitui por uma grandiosa jogada de marketing, consistente em escolher um pugilista desconhecido local para uma luta que possui a única pretensão de aproximar o boxe da população. O escolhido é “o Garanhão Italiano” (Rocky), pelo simples fato de possuir um nome que representa uma ótima alegoria da população daquela região. Enquanto Apollo e o resto do mundo considera a luta uma simples festa marqueteira, Rocky, relutante a princípio, assume como o momento de sua vida. Todo o desafio da luta vira a velha história da lebre e da tartaruga, onde a segunda, mediante seu próprio esforço e a empáfia da segunda, mostra-se um desafio maior do que o esperado (embora obviamente Apollo seja melhor lutador que Rocky! O exagero de elevarem o desconhecido ao status de melhor lutador só acontece nos próximos filmes). Ao mesmo tempo, é narrada a história cotidiana do lutador e seu romance com uma vendedora de pet shop (Talia Shire). Quem pensa que a parte romântica é secundária na trama está muito enganado: A história de duas pessoas simples se conhecendo, sem o romantismo mela-cueca do cinema americano, é interessante e merece ser aplaudida, pois retrata de forma inovadora a realidade de muitos casais simples de renda econômica baixa que, sem grandes excessos ou declarações, apenas demonstram seus sentimentos em poucos gestos ou em reações descomedidas. De fato, os diálogos do filme são completamente pobres, pela ótima caracterização dos personagens como pessoas extremamente ignorantes e com dificuldades de comunicação (lembrando muito a obra “Vidas Secas” de Graciliano Ramos). Quem pensa que o diálogo pobre prejudica o filme, novamente se engana: Os sentimentos e conflitos são apresentados de forma intimista, sem necessidade de palavras, com a ótima e surpreendente atuação dos protagonistas (até do Stallone). Com a trilha sonora mais famosa de todos os tempos (equivoca-se quem pensa que Eye of the Tiger e a música de boxe da Globo também surgiram no primeiro filme, estas músicas só aparecem nas continuações), este filme entra pra história como o melhor filme de boxe já feito (já que “Menina de Ouro” tem o boxe de pano de fundo, mas trata-se de um verdadeiro drama de cortar os pulsos). A história do desconhecido que nunca teve sucesso na vida, mas que é um verdadeiro talento sem oportunidades é hoje um clichê, mas em 1976 foi original, linda e brilhantemente executada. Não há quem não vibre com a felicidade e o sucesso daquele que luta a vida inteira, sofre, e no final é recompensado pelo reconhecimento de todos. Que epopeia cativante.
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