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Waking Life


Nota: 6
Ano: 2001
Diretor: Richard Linklater
Ator 1: Wiley Wiggins
Ator 2: Kim Krizan
Oscar: Não concorreu a nenhum prêmio.
Também se enquadra nas seguintes categorias: Frases de efeito; Escapista; Alternativo; Antropologia poética.
Comentário: Eu não costumo gostar de filmes muito malucos, com quadros desconexos e com muito mais poesia do que prosa. Esse filme é a obra filosófica e doidona que eu mais gostei até hoje. A história, se é que pode ser chamada de história, envolve um adolescente que não consegue acordar e, vagando nos seus sonhos, ele dialoga sobre questionamentos existenciais da vida. O filme é inovador e é feito com pintura sobre o negativo dos filmes (incluindo uma cena no filme “Antes do amanhecer”), na qual, como em um sonho, as coisas sem aparente explicação somem, mudam de forma ou cor sem qualquer fundamento lógico. É aquele tipo de filme em que se vomita questionamentos existenciais, cotidianos e de fundamental importância em uma velocidade absurda. É possível pegar cada quadro do filme e transformá-lo em um curso de seis meses de filosofia, antropologia ou qualquer outra matéria sobre o tema. Mas juro, o diálogo é extremamente bem construído e poderá fazê-lo refletir sobre muitas coisas. Não é recomendado para quem quer ver um típico filme de cinema, não é recomendado para os fãs de ação, mas se você gosta de perguntar o porquê das coisas, de refletir sobre o seu íntimo ou sobre a conduta das pessoas, a experiência é válida e eu recomendo. Vou citar, só pra explicar melhor, um dos quadros do filme: Quatro rapazes andam por uma calçada falando sobre a imperiosa mudança do sistema, a distribuição do sistema de produção e a conscientização das pessoas para um mundo mais justo e adequado para todos (só as idéias deles já são suficientemente interessantes e dignas de um sem número de reflexões), quando se deparam com um senhor pendurado em um poste. Eles perguntam o que ele faz lá em cima e ele responde que não sabe. Eles continuam a andar e um deles comenta o quanto o cara é doido, quando o outro comenta “ele é ação sem idéias, nós somos idéias sem ações”. Enfim, assista quando estiver numa vibe diferente na qual você poderá se surpreender gostando desta inovação cinematográfica. Mas, obviamente, nunca sugira esta peça para alguém que quer simplesmente ver um filme. Você vai concordar ou discordar, mas o que vale é a provocação ao seu senso crítico.